Uma operação da Polícia Civil de Goiás (PCGO), chamada de Jogada Marcada, prendeu, nesta quarta-feira (9), seis pessoas suspeitas de fazerem parte de uma organização criminosa especializada na manipulação de resultados em partidas de futebol. Um investigado está foragido. Segundo a polícia, um dos investigados movimentou, no período, mais de R$ 11 milhões.
Entre os presos, está Cleuson Ivan de Souza Barros, mais conhecido por “Cobrinha”, ex-presidente do Crato Esporte Clube.
EX-DIRIGENTE DO CRATO
Com relação ao envolvimento de “Cobrinha” no esquema de manipulação de resultados, o placar de 9 a 2 entre Atlético Cearense e Crato, em fevereiro de 2022, motivou as investigações. A partida foi válida pela série A do Campeonato Cearense.
No mesmo ano, o Crato foi suspenso, por suspeita de manipulação de resultados, pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Ceará (TJDF-CE). Com isso, o time do Cariri Cearense não realizou a partida contra o Ferroviário na última rodada da primeira fase da competição.
Por meio de nota, a defesa de “Cobrinha” informou que o processo segue em segredo de Justiça, mas considera a prisão descabida e ilegal.
“Estamos buscando acesso aos autos, pois o processo tramita em segredo de Justiça, junto a Justiça do Estado de Goiás. Temos a certeza da inocência, assim como restou apurado e ele absolvido junto ao Tribunal de Justiça Desportiva do Ceará ainda em 2022. A investigação é completamente extemporânea em 2025, analisando fatos de 2022, onde o Cleison Ivan Barros já não atua com o Futebol desde meados de 2022. Portanto, é uma prisão ilegal e arbitrária. Estamos no aguardo do acesso completo da investigação para concluir manifestação da defesa”, diz a nota da Defesa de “Cobrinha”.
Os policiais que participaram das investigações constataram que os suspeitos se comunicavam utilizando um aplicativo de mensagens no grupo denominado “Arbitragem da Propina”.
OUTROS PRESOS
Também receberam voz de prisão um árbitro de futebol da Paraíba, dois aliciadores e dois ex-jogadores. Além do Ceará, os mandados judiciais foram cumpridos no Espírito Santo, Maranhão, Paraíba e Pernambuco. Quando as investigações tiveram início, em 2022, um dos atletas ainda estava em atividade e o outro tinha se aposentado.
INVESTIGAÇÃO
Segundo o delegado Eduardo Gomes, titular do Grupo Antirroubo a Banco (GAB), a denúncia foi formalizada pelo presidente de um clube participante do Campeonato Goiano, que teria sido alvo de investidas por parte de um intermediário vinculado à organização criminosa.
A investigação identificou a estrutura hierárquica do grupo, composta por três níveis principais. O primeiro é o dos financiadores, responsáveis pelo aporte financeiro necessário à execução das fraudes; os intermediários tinham a missão de estabelecer contato e apresentar propostas ilícitas aos profissionais do futebol; O grupo dos executores, que incluem jogadores, treinadores e dirigentes de clubes.
SEQUÊNCIA DE DERROTAS
Ainda não foram identificados jogos em Goiás com atividades suspeitas, todavia a PCGO avaliará partidas realizadas naquele estado.
“A gente já conseguiu identificar toda uma fase de um torneio cearense, onde o time daquela região teria, naquele período, perdido todos os jogos, inclusive o time no qual o ex-presidente foi preso”, informou o delegado Eduardo Gomes.
Na época desse torneio, em 2022, segundo o delegado, o time acabou sendo excluído do campeonato cearense, de forma administrativa. Nessa fase da investigação, os policiais civis comprovaram que o então presidente do Crato, “Cobrinha”, chegou a receber pelo menos R$ 200 mil, em parcelas antes e depois do jogo.
Com informações da Agência Brasil.
