A Ser Ponte Fortaleza, organização social que atua na capital cearense desde abril de 2020, completa 5 anos de incidência. O coletivo trabalha, principalmente, com o repasse de renda para famílias chefiadas por mães chefe de família. A comemoração de meia década de voluntariado acontece no próximo sábado (12), na sede da Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará(ADUFC), das 12h às 16h.
O momento será de celebração das conquistas da organização, que no momento, apoia 48 famílias chefiadas por mulheres, chegando a cerca de 240 pessoas, de 6 territórios periféricos de Fortaleza.
O coletivo abrange os bairros Serviluz, Barroso, Raízes da Praia, Caça e Pesca, São Miguel e Sabiaguaba. Com intuito de arrecadar recursos para cada uma dessas famílias, o evento contará com ingressos solidários. O valor mínimo será de R$ 51. Já os valores de R$ 81, R$ 101 e R$ 151 também podem ser feitos, como forma de ampliar os recursos. As entradas seguem disponíveis, e podem ser compradas via formulário disponível na página da organização no Instagram.
PROGRAMAÇÃO
A programação contará com uma feijoada solidária, tradicionalmente feita no aniversário da ONG, realizada por meio da parceria com o Buffet Di Giardino. A tarde contará também com as apresentações musicais de três artistas cearenses, DJ Maria Tavares, Theresa Rachel e Lorena Nunes. Como ressalta Valéria Pinheiro, idealizadora e diretora-presidente da iniciativa, o evento é uma forma de celebrar a existência e a permanência de uma ação coletiva de solidariedade.
“Em sua essência, a Ser Ponte fala para mulheres com vidas inimaginavelmente precarizadas, que elas são importantes, que tem pessoas – muitas – que se preocupam e se movimentam para que elas e suas famílias tenham algum suporte. Essa fala chega em forma da renda básica mensal, de doações diversas, de uma rede de suporte local constituída por mulheres como ela e por nossos agentes territoriais, de apoio psicológico, de ações de geração de renda”, destacou Valéria.
Outro momento importante da comemoração é a Feminagem, solenidade em que a Ser Ponte entrega o Prêmio Mulher Ponte, para mulheres, líderes e representantes comunitárias de diferentes territórios de Fortaleza. Os nomes são escolhidos coletivamente. Ainda em março, foi disponibilizado um formulário para que o público geral ajudasse na escolha das premiadas. O prêmio está em sua terceira edição, e já premiou cinco mulheres de territórios como Caça e Pesca, Sabiaguaba e Curió.
Segundo Valéria, há toda uma cadeia de pessoas voluntárias que sustenta a iniciativa. Embora gostaria que a Ser Ponte não fosse mais necessária, ela continua sendo, e uma das motivações são as grandes lacunas econômicas enfrentadas pela cidade de Fortaleza.
“Para várias das chefes de família com quem atuamos, segue sendo a única ajuda que chega, de forma segura, previsível, com autonomia para que elas façam o que julgam mais necessário para o seu núcleo familiar. Precisamos chegar em mais casas, e assegurar a estas mulheres uma proteção e suporte de maneira mais integral. É como nos vemos ao olhar para o futuro”, completou Valéria.
Fortaleza abriga mais de 1,5 milhão de pessoas vivendo em situação de pobreza ou extrema pobreza (Fortaleza e Região Metropolitana), o pior cenário dos últimos 10 anos. Em um cenário de fome crescente, que afeta tantas mulheres, 7,2% dos nascimentos no Ceará em 2022 foram registrados apenas com o nome da mãe, um indicativo da vulnerabilidade das mães solo, as quais já correspondem a 16,5% dos lares brasileiros.

SER PONTE
A Ser Ponte é uma iniciativa da sociedade civil que nasceu ainda em 2020, em meio à pandemia de Covid-19, visando combater a pobreza e a vulnerabilidade social enfrentada por diversas famílias em Fortaleza. Durante toda a pandemia, a organização focou no repasse emergencial de renda básica de R$ 180 para as mulheres e seus filhos e familiares. Até dezembro de 2020, os recursos chegaram a 210 lares, mensalmente.
Em 2021, a iniciativa iniciou oferecendo apoio a 50 famílias e finalizou com 250 mulheres chefes de família beneficiadas, em 23 territórios diferentes. O repasse da renda básica, coração do projeto, se dá hoje em seis territórios, que contam, cada um deles, com o apoio de agentes territoriais. Os/as agentes são responsáveis pela escolha das mulheres beneficiárias e pelo repasse pessoalmente do recurso.
Nesses cinco anos, junto ao repasse mensal, foram e são realizadas ações de apoio psicológico para referências comunitárias e mulheres apoiadas, doação de mais de 2 toneladas de alimentos e outros itens básicos, garantia de EPIs durante a pandemia, rodas de conversa, articulação com outros projetos na cidade, formações, dentre outras atividades.
BRECHÓS COMUNITÁRIOS
Como forma também de ampliar a renda das mulheres apoiadas, surge o projeto dos Brechós Comunitários. A organização recebe roupas doadas de toda a cidade e repassa para cada um dos brechós geridos por parte das mulheres beneficiárias do repasse de renda, com isso, essas mulheres conseguem ampliar sua renda mensal, e garantir autonomia financeira por meio da economia criativa.
Conforme destaca Tamires Cruz, os brechós comunitários são uma ferramenta de extrema importância para complementar a renda de muitas dessas mulheres, sendo também a principal fonte de algumas delas.
“Tem sido realmente muito importante para elas, além delas receberem a roupa, a gente procura sempre fazer com que elas entendam o brechó como um negócio mesmo, cada vez mais oferendo oficinas e formações que possam fazer com que elas aprendam novas técnicas”, ressaltou a voluntária da Ser Ponte.
Ainda segundo Tamires, o diálogo para entender as dificuldades e particularidades vivenciadas por cada uma das mulheres em seus negócios é essencial para que sempre estejam sendo feitas melhorias. “O brechó mudou minha vida, estava sem trabalhar, foi muito bom. Me ajuda bastante. Com as vendas hoje não falta alimentação, e ajudou também a custear os estudos do meu filho na faculdade. Ajuda no transporte, a pagar água, luz”, disse Adriana, uma das mães apoiadas pela ser Ponte e dona de um brechó comunitário. Recentemente o filho de Adriana se formou em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará.
IMPACTO
Até o final de 2024, foram transferidos um total de R$ 133.200,00 para a renda básica em seis territórios de Fortaleza. Estes recursos foram obtidos a partir de doações diretas e pontuais, via doações programadas e recorrentes no site Benfeitoria, mas também de outras ações, como o bazar e a venda de produtos da nossa lojinha. No entanto, durante o ano passado, houve uma redução de 53% de doações por meio da benfeitoria (plataforma utilizada pela ONG para arrecadação de recursos).
Apenas no ano passado, foram realizadas também diversas atividades, como o Bazar Solidário, a Campanha Cama, Mesa e Banho e a Campanha das Bibliotecas no Dia das Crianças, mobilizando a comunidade e arrecadando recursos para atender às necessidades mais urgentes.
Ao todo são 6 agentes territoriais, cerca de 30 voluntárias, 6 psicólogas, 3 conselheiros fiscais e 5 conselheiros consultivos. Em 2025, a iniciativa conta com três frentes: Transparência e geração de renda; Saúde mental comunitária, segurança alimentar e bem-estar urbano; e Educação e cultura.
