Mais uma vez os fiéis seguidores do ex-presidente inelegível estiveram presentes na Avenida Paulista. Na manifestação, eles bradaram por “Anistia já!” para os presos do 8 de janeiro.
Para sensibilizar os próprios participantes, a filha de uma das presas subiu no trio, com um cartaz com a foto de sua mãe. As mulheres levaram batom, simbolizando apoio a Débora Rodrigues (que está agora em prisão domiciliar). A ideia deles foi mostrar que um batom não faz mal a ninguém, que a pichação feita resultou numa pena excessiva para a cabeleireira. E o contexto da situação? E toda a depredação, todo o vandalismo, toda a violência?
Tiveram a palavra no ato: o deputado Nikolas Ferreira, o governador Tarcísio de Freitas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o agora réu no STF.
Parece que querem cada vez mais colocar o povo, os seguidores bolsonaristas e simpatizantes contra a justiça, contra o judiciário, contra o STF. Defendem que há uma perseguição em curso com objetivos claros de prejudicar a direita.
Pensam mais ou menos assim: os presos e alguns figurões direitistas são os perseguidos, as vítimas de um regime ditatorial, que cassa liberdades e que quer a destruição da direita. Mas eles seguem na resistência, são verdadeiros heróis, são o futuro do Brasil e o país necessita deles.
O nome de Deus foi usado por eles e representantes de várias religiões foram apresentados. Eles devem ter um Deus próprio, alinhado com suas defesas e pautas. É preferível pensar num Deus não acima de todos, mas que está no meio de nós, como de vez em quando nos lembra o Padre Julio Lancellotti.
“Não houve golpe”, gritaram os manifestantes. Ainda bem que não houve. Ainda bem que nenhuma possível tentativa de atentado contra a democracia se concretizou. Felizmente as instituições republicanas e o sistema democrático mostraram suas forças, dando fim a possíveis sanhas golpistas.
A pergunta que fica é: o Congresso vai aprovar a anistia?
