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Trump impõe tarifas de 10% a produtos brasileiros, mas país pode ter ganho de mercado

Após o anúncio de Trump, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei da Reciprocidade Comercial, a qual permite que o governo brasileiro adote medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil. Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), anunciou nesta quarta-feira (2) as tarifas globais sobre impostos de importação de outros países. A data do “tarifaço” foi nomeada pelo chefe do Executivo republicano como o “Dia de Libertação”. Ele confirmou uma taxa de 10% para os produtos brasileiros. A sobretaxação dos EUA, contudo, pode representar uma oportunidade de ganhos de mercado para o Brasil, caso o país souber negociar com outros parceiros comerciais. A avaliação é do economista e professor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Adalmir Marquetti.

Em entrevista ao jornal Repórter Brasil, da TV Brasil, ele defendeu a necessidade urgente da aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). “O processo de negociação é um ponto importante a ser levado. Tem que tentar uma retaliação em alguns produtos, mas também tem que haver uma negociação com outros países. Acho a viagem do presidente Lula para o Japão e para o Vietnã importante no sentido de buscar novos parceiros comerciais, de intensificar nossas relações com esses países que estão crescendo, estão se tornando importantes na economia mundial”, destacou o especialista.

Conforme Marquetti, o acordo entre os dois blocos econômicos tem importância estratégica para amenizar o impacto da decisão do governo de Donald Trump sobre os países membros. Segundo ele, o acordo não beneficiará apenas a balança comercial (exportação e importação de bens), mas também a balança de serviços, em que o Brasil importa muito mais do que exporta e consome cerca de 40% do superávit comercial.

“Certamente, [a sobretaxação de Trump] abre um espaço de negociação e de busca de novos parceiros comerciais. Inclusive o acordo do Mercosul com a União Europeia, esse é o momento de implementar. Esse acordo, de buscar as novas parcerias do Brasil que envolvam tanto a balança de bens e de serviços. Temos uma balança comercial bastante positiva, mas a nossa balança de serviços, no caso brasileiro, é negativa”, completou o professor.

Ainda segundo Marquetti, a decisão dos Estados Unidos abrange apenas as importações de bens, não de serviços, já que o país é um dos maiores exportadores de serviços do mundo, em especial, tecnológicos e audiovisuais. Além disso, o Brasil, como a sétima ou a oitava maior economia do planeta (dependendo da medição), tem espaço para ocupar o mercado mundial à medida que outros países retaliarem os Estados Unidos. O professor, no entanto, recomenda que o processo não ocorra apenas com produtos agrícolas e minerais, mas abranja produtos de maior valor agregado.

RECIPROCIDADE COMERCIAL

Após o anúncio de Trump, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite de ontem (2), o Projeto de Lei 2.088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, a qual permite que o governo brasileiro adote medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global ou que prejudiquem a competitividade brasileira. O texto agora segue para sanção presidencial.

O governo brasileiro não descarta ainda a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço, destacaram os ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No entanto, a prioridade neste momento é negociar a reversão das medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos.

Caso seja sancionada, a lei valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”. Conforme o Artigo 3º, o projeto autoriza o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”.

O texto destaca ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a medida não é uma lei só para os Estados Unidos, mas para todos os mercados e países.

Com informações da Agência Brasil