No Ceará, apenas 20,6% das cidades possuem mulheres como prefeitas. O dado foi divulgado pela Cartilha Violência Política de Gênero no Brasil e no Ceará, pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). Dos 184 municípios cearenses, apenas 38 são comandados por mulheres. O cenário também é preocupante no Legislativo, já que, na Assembleia, apenas nove deputadas estaduais de um total de 46 cadeiras foram eleitas em 2022, e na Câmara de Deputados, de 22 parlamentares cearenses, apenas três mulheres ocupam cadeira na Casa.
Em relação às eleições de 2020, o pleito do ano passado trouxe um ligeiro aumento em relação ao número de eleitas. Em 2020, 30 mulheres foram eleitas. “Embora tenha havido um crescimento em relação a 2020, a participação feminina na gestão municipal segue sendo um desafio para a equidade de gênero na política cearense”, destaca a Cartilha.
A cartilha, assinada pela primeira-dama da Alece, Tainah Gomes Marinho de Oliveira, e pelos advogados Luciana Carneiro de Oliveira e Thiago Melo Façanha, foi lançada nesta semana, em evento na Alece. Conforme o documento, a cartilha tem, como propósito, “esclarecer o conceito e as diferentes formas de violência política de gênero, trazendo exemplos concretos e atuais”. O material detalha a legislação aplicável nas esferas nacional e estadual.
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“O objetivo é disponibilizar informações acessíveis e fundamentadas, de modo que todas as pessoas possam compreender o fenômeno e conhecer mecanismos de prevenção e combate. (…) Esperamos que este material contribua significativamente para essa transformação”, divulga a cartilha.
MULHERES: LIDERANÇA EM AÇÃO
Na Assembleia, foi realizado nesta quinta-feira (27) o seminário “Mulheres: Liderança em Ação”. Com o objetivo central de valorizar e reconhecer a importância das mulheres em cargos de liderança nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o evento recebeu importantes personalidades femininas da política cearense. Presente no evento, Tainah Marinho destacou a importância do seminário. “Esse seminário é um despertar para a gente falar de liderança feminina e, ao mesmo tempo, fortalecer a autoconfiança e autoestima dessas mulheres. Quando nós somos líderes, nós estamos inspirando outras mulheres a serem líderes também”, avaliou.
Tainah ressaltou que a Alece tem cerca de 61% de mulheres ocupando cargos de liderança e, por isso, a Casa está cada vez mais alinhada com o que existe de mais moderno na gestão pública. Prefeita em exercício de Fortaleza e também presente na ocasião, Gabriella Aguiar (PSD) frisou que as mulheres são 52% da população brasileira, mas ocupam apenas 13% das prefeituras, 14% das cadeiras no Congresso Nacional e 18% dos assentos nas câmaras municipais. Em razão disso, na avaliação dela, é preciso ainda avançar mais, pois o “machismo é estrutural”.
“A gente precisa estar aqui para fazer a diferença e para representar. Quando a mulher está ocupando um espaço de poder, ela abre a porta para outras mulheres”, acrescentou.
