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Arcebispo de Fortaleza fala sobre papel da Igreja frente às mudanças climáticas

Um dia após o início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, a Arquidiocese de Fortaleza, em parceria com a Equipe das Campanhas do Regional Nordeste 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou a Campanha da Fraternidade 2025. O evento aconteceu na manhã desta quinta-feira (6), com a presença Dom Gregório Paixão, OSB, Arcebispo de Fortaleza, que destacou o papel da religião e da Igreja frente às mudanças climáticas e diante da crise global.

Também estiveram presentes Patrícia Amorim, coordenadora regional da Equipe das Campanhas do Regional Nordeste 1 da CNBB; Rafael dos Santos da Silva, docente da Universidade Federal do Ceará; e Musamara Pereira, presidente da Associação dos Agentes Ambientais Rosa Virgínia.

O tema deste ano é “Fraternidade e Ecologia Integral – Deus Viu que tudo era muito bom”. Este é o nono ano em que o debate sobre sustentabilidade é o foco principal da Campanha da Fraternidade. Escolhido ainda no ano de 2023, o objetivo principal da ação é discutir e conscientizar sobre a importância do cuidado com a natureza, atrelada à espiritualidade; e estimular as pessoas a agirem nesse sentido.

Para Dom Gregório Paixão, a religião, e em específico as movimentações de base da Igreja Católica, desempenham um papel importante no debate sobre o tema da Campanha deste ano, pela capacidade de capilaridade e o pelo poder de estar próxima das pessoas.

“A grande coisa que a Igreja faz, em seu poder de servir e de estar próxima dos irmãos, é exatamente fazer com que a gente tenha consciência daquilo que está sendo debatido. Mas, na base, através dos trabalhos sociais, através de tudo aquilo que faz parte da vida eclesial, a gente pode colaborar para que não vejamos apenas uma ideia ser lançada, mas que ela venha a ser concretizada, pois o tempo urge. A natureza está gritando pela nossa presença”, ressaltou o Arcebispo de Fortaleza.

Conforme destacou Dom Gregório, a única forma de avançar nas ações mitigatórias frente aos impactos das mudanças climáticas é trabalhar o ser humano. “Temos que ir para as bases e a Igreja conhece bem como chegar lá”, complementou.

A CAMPANHA

Aliada também à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) – que neste ano acontece em Belém do Pará, a Campanha da Fraternidade, que já acontece há 60 anos no Brasil, é motivada também pelos 10 anos da Laudato Si, encíclica escrita pelo Papa Francisco a respeito da situação climática global e da criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam).

No Ceará, estarão em pauta questões ambientais como a exploração de Urânio no município de Santa Quitéria; a recente sanção do projeto de lei que libera a pulverização de agrotóxicos por meio de drones, aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) ou veículo aéreo não tripulado (Vant); e a expansão das áreas verdes da cidade de Fortaleza.

A Campanha também apoiará projetos sociais que estejam alinhados com a temática, com incentivo financeiro de R$ 6 mil, por meio do Fundo Arquidiocesano de Solidariedade (FAS). Cada grupo, pastoral ou entidade pode submeter apenas um projeto por ano, que deve ser enviado até o dia 1o de cada mês. Outra iniciativa acontece no Domingo de Ramos, no dia 13 de abril, com a Coleta da Solidariedade, em que toda a arrecadação será doada para instituições e projetos sociais.