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A resistente estátua da Justiça

Imponente, feminina, de olhos vendados, há anos está sentada em frente ao Supremo Tribunal Federal. Infelizmente, ela tem sido alvo nos últimos tempos de bolsonaristas.

Primeiro, em 8 de janeiro de 2023, Débora Rodrigues escreveu com batom no monumento sexagenário: “Perdeu mané”. Os seguidores da seita bolsonarista tornaram Débora uma mártir, cumpridora, segundo eles, de uma pena excessiva (14 anos). Agora ela vai para prisão domiciliar. Uma pergunta deveria ser feita para a autora da frase. Perdeu o que? Quem é o mané da história?

Depois, difícil esquecer do tiu França, como era conhecido o Francisco Wanderley, que arremessou um explosivo contra a estátua e outros dois na direção do prédio do STF. Terminou colocando um explosivo atrás da cabeça e morrendo. O que teria pensado o tiu França? Será que ele pensou como um homem-bomba? Vale tudo pelo atentado. Poderia morrer, mas certamente teria destruído a justiça, a estátua dela pelo menos e danificado o Supremo, o prédio da instituição.

Na casa alugada por Francisco Wanderley, a polícia encontrou uma frase em que possivelmente ele chama a escultura de “estátua de merda”. E expõe o seu plano: “se usa TNT”. Tudo indica que queria explodir a obra do mineiro Alfredo Ceschiatti. Por que tanto ódio contra A Justiça, feita de granito?

É bastante interessante, não? Atacando o símbolo, eles demonstram o desejo de atacar a própria justiça, no caso, de atentar contra a ordem democrática. Os baderneiros e depredadores do 8 de janeiro talvez quiseram bagunçar e desestabilizar a democracia. Não conseguiram. Agora pedem anistia.

Apesar do batom, do vandalismo e do atentado, felizmente ela segue firme, impávida, resistente. E pronta para punir pichadores e para sobreviver a explosivos.