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Ainda estamos aqui

Assisti duas vezes ao filme “Ainda estou aqui”. A história da família Paiva é comovente. Eles vivem como uma família comum, como tantas outras, quando de uma hora para outra precisam lidar com o desaparecimento do pai, do provedor. A mãe também enfrenta a truculência do período militar. Eles precisam ser fortes para continuar esperando o retorno do pai.

Muitas famílias brasileiras passaram por isso no mesmo momento histórico. Muitas famílias até hoje não enterraram seus entes queridos. Como alguém pode defender isso? Como alguém pode evocar nomes de torturadores como heróis? Como podem pedir “Intervenção Militar já!” atualmente, depois de tudo o que eles fizeram entre 1964 e 1985?
Nas duas ocasiões, o público que lotou a sala de cinema, formado por jovens, adultos e idosos, aplaudiu de pé quando o filme terminou. Algumas pessoas saíram enxugando lágrimas.

O filme é daqueles que merecem aplausos eternos. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz, é uma obra de arte merecedora da vitória.

A cerimônia do Oscar está marcada para o dia 2 de março, domingo de carnaval. Se o filme for o laureado, se Fernanda Torres for a agraciada, o povo deste país que ainda está aqui, buscando que a memória pelo que aconteceu permaneça viva e querendo sempre justiça e punição dos responsáveis pelo que aconteceu, vai entrar em pleno regozijo.
Seremos felizes foliões, cantaremos, brincaremos e beberemos, comemorando a sétima arte produzida em nosso país.