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Exposição “Claudia Andujar. Minha vida em dois mundos” fica em cartaz na Pinacoteca até 9 de março

Uma das obras exposta é "Maloca rodeada de folhas de batata-doce". Foto: Divulgação/ Claudia Andujar

A exposição Claudia Andujar. Minha vida em dois mundos entra nos últimos dias de visitação na Pinacoteca do Ceará. A mostra fica em cartaz até o dia 9 de março, o domingo seguinte ao Carnaval, e apresenta cerca de 200 obras da artista, divididas em cinco núcleos.

No último dia, também haverá exibição de uma cinebiografia da artista no auditório do museu, que integra a Rede de Equipamentos e Espaços Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) e é gerido em parceria pelo Instituto Mirante. As visitações acontecem de quarta a sexta, das 10 às 18 horas, e sábados, das 12 às 20. Aos domingos, o funcionamento é das 10 às 17 horas.

Com curadoria de Eduardo Brandão, a mostra reúne cerca de 200 fotografias da artista suíça naturalizada brasileira e traz diferentes olhares e trânsitos de Andujar, entre o fotojornalismo e a arte experimental; as grandes cidades e a floresta; a Europa, onde ela nasceu, e a América, continente que a acolheu após a perseguição nazista à sua família paterna; ela própria e o Outro.

Claudia Andujar passa a experimentar a fotografia como uma estratégia para conhecer o País, em um período no qual os museus brasileiros ainda não dedicavam espaço à linguagem. Por isso, a exposição também reúne trabalhos consagrados da artista, embora menos conhecidos, como as fotografias realizadas para a revista Realidade, publicação que contribuiu ao longo da carreira.

É o que se vê em séries como Famílias Brasileiras, um dos primeiros ensaios que realizou no Brasil, quando passou longos períodos convivendo com diferentes famílias em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Trem Baiano é outro importante trabalho presente na mostra, que retrata migrantes que tentavam se estabelecer em São Paulo voltando às suas cidades de origem, enviados pelo Departamento de Imigração e Colonização de São Paulo. Para fazer o ensaio publicado numa reportagem da revista Realidade, em 1969, Claudia Andujar embarcou no trem que saía de São Paulo e parava em diversas cidades no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na Bahia.

A colaboração com a revista levou a fotógrafa a ter o primeiro contato com os indígenas Yanomami, trabalhando numa edição especial sobre a Amazônia, em 1971. A partir daí, Claudia Andujar estabelece uma ligação cuidadosa e
comprometida com aquele povo ameaçado à época – e até hoje – pelo garimpo e por interesses políticos e econômicos, como o projeto de desenvolvimento industrial da ditadura militar, que construiu grandes rodovias na região.

Nos últimos anos, a obra da artista tem sido exposta em instituições de todo o mundo, com apoio da Fondation Cartier pour l’Art Contemporain (França), como no México, Itália, Espanha, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha.

ATIVIDADES ESPECIAIS E GRATUITAS

Durante a exposição, a programação ainda contou com sessões do documentário A senhora das flechas (The Lady with the Arrows, 2024), de Heidi Specogna. O filme aborda a relação de afeto e militância de Claudia Andujar com o povo indígena Yanomami. A produção audiovisual pode ser vista em uma última exibição no dia 9 de março, domingo, das 11 horas às 12h30.

A exposição tem classificação indicativa de 12 anos e conta com diversos recursos de acessibilidade, como obras táteis, audiodescrição, Braille e vídeo em Libras, além de uma série de atividades formativas, com diversos públicos, ao longo de todo o período de exibição.

SERVIÇO:

O que: últimos dias para visitação na exposição “Claudia Andujar. Minha vida em dois mundos”.
Quando: até domingo, 9 de março
Onde: Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, 34, Centro)
Classificação indicativa: 12 anos
Acesso gratuito
Funcionamento do museu: quarta a sexta, das 10 às 18 horas, e
sábados, das 12 às 20 horas. Aos domingos, das 10 às 17 horas.
Entrada até 30 minutos antes do encerramento das atividades.