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Governo e Fiocruz assinam parceria para produção de biofármacos e atuar no controle de arboviroses

A assinatura ocorreu nesta terça-feira (11). Foto: Carlos Gibaja/Casa Civil

O Governo do Ceará e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciaram nesta terça-feira (11) dois novos empreendimentos no Distrito de Inovação e Saúde do Ceará (DIS-CE), localizado no Eusébio, município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Com a novidade, serão criados o Complexo Tecnológico de Insumos Estratégicos (CTIE), do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Maguinhos/Fiocruz), e a Biofábrica de Wolbachia, que atuará no controle vetorial de arboviroses. O investimento total é de mais de R$ 1 bilhão.

A expectativa é de que a assinatura do contrato para as obras no CTIE ocorra ainda neste mês de fevereiro, seguida pelo início das construções, com previsão para ocorrer no primeiro semestre de 2025. O cronograma prevê 20 meses de obras. Já a Biofábrica de Wolbachia deu início às obras em dezembro de 2024, e tem expectativa de estar pronta em agosto deste ano. Para que a iniciativa seja possível, foi aprovado na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) um Projeto de Lei de autoria do Poder Executivo que doou terrenos do Estado à Fiocruz. A matéria aprovada nesta quarta-feira (12) fez com que a Fiocruz tenha uma área de cerca de 297.500 m².

Conforme o Executivo, os equipamentos vão impactar na vida de milhões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), não apenas no Ceará, como em todo o País. O anúncio foi selado em encontro que contou com a presença do governador Elmano de Freitas (PT), do diretor-executivo da Fiocruz, Juliano Lima, e demais autoridades. Segundo Elmano, os empreendimentos serão “essenciais” para o desenvolvimento de novas tecnologias. “Estamos aqui para reafirmar o nosso compromisso com esse projeto, porque consideramos muito importante e estratégico. O que estamos fazendo aqui é importante para a história do Ceará”, pontuou.

Juliano Lima também comentou sobre o momento, destacando ser um dos “projetos mais relevantes” da Fiocruz. “Nós, hoje, acredito que deslanchamos um componente muito importante do nosso projeto aqui, porque a Fiocruz Ceará desenvolveu enormemente no campo da ciência e educação, e tem um papel importante no Brasil todo, e agora damos esse grande salto para o componente tecnológico e industrial. Esse projeto mostra que é possível associar desenvolvimento econômico e social através da saúde”, ressaltou.

IMPACTO PARA A ÁREA DA SAÚDE

O CTIE, com as biofábricas, vai atuar na produção de ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) de diversos biofármacos, incluindo medicações para tratamento de alguns tipos de câncer, doenças crônicas, doenças inflamatórias – como artrite reumatoide e doença de Crohn – e hormônio do crescimento. Inserido na estratégia do Ministério da Saúde (MS) de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o Complexo receberá cerca de R$ 1 bilhão de investimento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal.

Já o outro empreendimento, a Biofábrica de Wolbachia, é vista como estratégico pelo Governo Federal para o controle vetorial de arboviroses no País. Com expectativa de capacidade de produção de 50 milhões de ovos e até 10 milhões de mosquitos por semana, a biofábrica atua no combate a arboviroses produzindo mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. O microrganismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza é inserido em mosquitos Aedes, bloqueando os vírus da dengue, zika e Chikungunya. Assim, aos poucos, uma nova população destes insetos vai surgindo, reduzindo índices das doenças.

Com previsão de investimento de até R$ 88 milhões para a construção, segundo estudo realizado em cidades onde o método já foi implantado, cada real investido representa economia entre R$ 43,45 e R$ 549,13 em medicamentos, internações e tratamentos em geral. A biofábrica de Wolbachia do Ceará poderá beneficiar, em sete anos, 1.794 municípios nordestinos e 55 milhões de brasileiros, sendo um hub para distribuição da tecnologia para a região Nordeste.

Presente na reunião, a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, destacou a importância das biofábricas para a saúde do Estado. “Eu sou médica infectologista, então sei do trabalho árduo que temos com arboviroses. Esse é um grande ganho para o Estado do Ceará, e também para o Nordeste, pois finalmente iremos desenvolver na área da saúde. Isso é muito bom, porque realmente temos que investir em novas tecnologias”.

“Com o CTIE, espero podermos acompanhar a produção de imunobiológicos, porque é cada um mais caro que o outro. Desejo que possamos produzir cada vez mais insumos porque só quem vai ganhar é a população e claro, o Governo, pois você racionaliza os investimentos nessa área da saúde. Além de que [com os empreendimentos] ainda teremos profissionais mais capacitados”, completou a secretária.