O deputado estadual Missias Dias, o “Missias do MST (PT)”, foi o primeiro Sem Terra eleito para a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) na história do parlamento cearense, quando alcançou 44.843 votos em 2022. Para este último biênio de seu primeiro mandato na Casa, uma nova conquista: ele assume como líder do maior bloco de partidos – PT/PCdoB/PSD/PSDB/Cidadania -, que reúne 14 deputados em exercício. Com isso, ele se tornou o primeiro parlamentar do Brasil a assumir posição de liderança de partido ou bloco partidário nas casas legislativas. Missias falou sobre o assunto com o OPINIÃO CE.
O legislador destacou a importância que o Movimento Sem Terra (MST) teve na sua construção como um agente do poder público. “Ser do MST tem importância porque foi na luta pela terra que aprendi qual era o papel do Estado, das políticas públicas e a força das leis”.
Assentado da reforma agrária do município de Crateús, no sertão cearense, ele é agricultor e administrador, com experiência em cooperativismo e produção de alimentos. “Foi essa vivência, com o apoio do Partido dos Trabalhadores, que me conduziu até a Assembleia. Um espaço onde tradicionalmente as pessoas que vêm de famílias humildes não conseguem chegar. Mostrei que isso é possível e sigo defendendo as pautas que levaram o povo cearense a votar em mim”.
“A liderança do bloco partidário chega com dois anos do nosso mandato, um reconhecimento do nosso aprendizado no parlamento, do nosso esforço na construção de um Ceará melhor com o governador Elmano”, afirmou.
Em 2022, além de Missias, o MST – em um movimento nacional – elegeu deputadas e deputados estaduais em Pernambuco, com Rosa Amorim (PT); no Rio de Janeiro, com Marina do MST (PT); e no Rio Grande do Sul, com Adão Pretto (PT). Já para a Câmara dos Deputados, foram eleitos os federais Valmir Assunção (PT), pelo estado da Bahia, João Daniel (PT), por Sergipe, e Marcon (PT), pelo Rio Grande do Sul.
O deputado cearense reconheceu que sua indicação para a liderança do bloco inspira a presença do MST na política. Ele destacou que, nas Eleições Municipais de 2024, foram eleitos vereadores representantes do Movimento em cidades cearenses como Crateús, Tamboril, Monsenhor Tabosa e Santa Quitéria. “A participação nos espaços institucionais da política é vista como uma tarefa, assim como outras que os militantes desempenham dentro do movimento. Temos uma organização com bastante formação política, inclusive com a juventude, observando para a importância da formação de novos quadros”, ressaltou.
“Vejo a liderança do bloco na Alece como uma consequência do trabalho que venho realizando, junto com todos que constroem nosso mandato. Temos nos esforçado bastante para estabelecer uma atuação que defende direitos de forma democrática, respeitando a nossa Constituição Federal e Estadual, sem abrir mão dos princípios de justiça social que sempre lutamos. Quero exercer a liderança ouvindo bastante os partidos que fazem parte do bloco e dialogando sempre com as orientações da presidência da Casa”, acrescentou.

O TRABALHO DO MST
Movimento que completou 40 anos em 2024, o MST tem como principais pautas as defesas da reforma agrária e da educação no campo, como explicou o parlamentar. “[O Movimento] atua para dar dignidade a quem planta o alimento do país”, disse. No entanto, o trabalho dos Sem Terra costuma ser vítima de mentiras. “Não invade terras, nem age com violência”, destacou Missias.
“Quando realiza uma ocupação, faz em áreas declaradamente improdutivas para que o governo desaproprie, indenize os proprietários e distribua para quem verdadeiramente produz. É o que diz a Constituição com o debate da função social da propriedade. Para criminalizar a luta por direitos, há muita perseguição daqueles que são contra a distribuição de renda e querem manter seus privilégios”, pontuou.
Como relatou o deputado, há quem pensasse, na Assembleia, que ele seria “agressivo e desordeiro”. Também disse ter ouvido “coisas muito absurdas pelos corredores”. “Mas logo recebi o retorno de servidores e de deputados sobre como desconheciam o Movimento. Como era bonito nosso trabalho com a educação, com as agroindústrias e tudo mais. A convivência e o trabalho começaram a falar por si”, completou.
A maior visibilidade de seu trabalho na imprensa, segundo Missias, ajuda a ver como o Movimento defende a democracia. “Contribui para desconstruir uma falsa imagem alimentada na mídia e nas redes por alguns grupos. Sou Sem Terra, mas tenho clareza de que fui eleito para contribuir com a melhoria de vida de todos os cearenses. Na liderança do bloco, pretendo atuar na defesa do povo e do projeto do governador Elmano para fazer avançar o nosso Ceará”, finalizou.
