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Grupo de pesquisa em teatro do IFCE apresenta espetáculo “Meus Três Irmãos Mortos”, neste fim de semana

Os atores Anabel Lessa, Erick Bittencourt, Pietro Chaves e Vitor de Medeiros protagonizam o espetáculo. Foto: Divulgação

“Mariana acabou de cortar os pulsos e está sentada no sofá ao lado dos seus três irmãos. A única filha mulher da família, um único curativo mal-feito no pulso ferido e uma espera longa por um jantar que nunca fica pronto. É durante a espera do jantar que Mariana e seus três irmãos reviram os temas mais sérios que orbitam os segredos da família. Amor, violência, suicídio, sexo, vaga-lumes e o fim do mundo”. A partir desta premissa é que estudantes membros do Grupo de Pesquisa em Práticas de Interpretação (GEPI), do curso de Licenciatura em Teatro do Instituto Federal do Ceará apresentam a nova temporada do espetáculo “Meus Três Irmãos Mortos”, nos dias 8, 9, 15 e 16 de fevereiro na Casa da Esquina.

A peça nasce a partir das técnicas de interpretação subjetivas, norteadas pelos estudos de Constantin Stanislavski e de outros autores. O espetáculo se volta para temas psicológicos, ao tratar da relação de três irmãos e sua única irmã mulher, que inicia a peça após uma tentativa de suicídio. O projeto estreou ainda nos dias 21 e 28 de junho do ano passado, na Sala Imersiva do Museu da Imagem e do Som – MIS.

Para Isabela Constantino, produtora do espetáculo, a expectativa é trazer muito impacto para o público. “Já tivemos uma temporada muito impactante. A peça mexe com assuntos muito delicados. Eu definiria a peça Meus Três Irmãos Mortos como chocante”, ressaltou.

Já a atriz Anabel Lessa, que interpreta uma das personagens, destaca a relação entre o tradicional e as inovações na peça. “Minhas expectativas estão bem altas, nós estamos trabalhando de forma bem dedicada para entender como esses novos modos de atuação impactam na nossa vida e também podem impactar o público que está vendo. Tem muito dessa troca, algo que dificilmente a gente vê. Minhas expectativas estão altas”, complementou.

O ESPETÁCULO

Durante a espera por um jantar que nunca fica pronto, os jovens irmãos se confrontam com temas sombrios que orbitam a vida da família. A tentativa de suicídio da irmã, a relação com os pais e com o envolvimento religioso dos pais, a morte de um irmão, o abandono familiar, sexo, violência, amor e o fim do mundo, como chave metafórica mais ampla, permeiam as narrativas das personagens.

O espetáculo foi desenvolvido durante cerca de dois anos de pesquisas do Grupo de Estudos em Práticas de Interpretação, focado no trabalho de atuação psicológica, onde os exercícios de interpretação praticados pelos atores produziram materialidades por sua vez incorporadas numa produção dramatúrgica ligada a questões pessoais e subjetivas, a influenciar decisivamente na concepção cênica do espetáculo.

Segundo a dramaturga responsável pelo “Meus Três Irmãos Mortos”, Rebeca Lemos, a construção das personagens e da história foram inspiradas na carta de suicídio de Kurt Cobain, textos de Clarice Lispector, música de Roberto Carlos, manuscritos reais de um serial killer, além do comportamento humano dos atores nos ensaios.

“Antes de eu começar a escrever a peça, nos primeiros ensaios eram muito sobre exercícios de atuação, meios de tentar encontrar os sentimentos reais dos autores, mesmo que não fossem articulados com aspectos biográficos. Eu pegava coisinhas que eles faziam. Eu pegava algumas coisinhas, pegava aquilo, distorcia e fazia o texto”, ressaltou.

O percurso investigativo e criativo resultou em espetáculo denso, intimista, sustentado especialmente pela subjetividade humana e que, no âmbito estético, traz ao público uma relação claustrofóbica com o estado emocional dos atores e com a proposta sensorial de encenação. Os atores Anabel Lessa, Erick Bittencourt, Pietro Chaves e Vitor de Medeiros protagonizam o espetáculo, dirigido por Thiago Arrais, escrito por Rebeca Lemos Carvalho e produzido por Isabela Constantino. A Animação de Imagens é de Landunic. O projeto conta com apoio do Instituto Federal do Ceará, Campus Fortaleza.

Para Thiago Arrais, professor do IFCE, o teatro precisa de um encontro entre as pessoas, em especial depois da pandemia de Covid-19, e destaca as questões delicadas, assustadas e cansadas de jovens com o mundo.

“O teatro apareceu nesses processos do Meus Três Irmãos Mortos como um reflexo, como um espelho de questões relativas à uma geração de 20 poucos anos, e o que ela tem a apresentar nesse universo da pós-pandemia, relativo aos seus sentimentos, as suas inseguranças, as suas aspirações, aos seus cansaços, as suas desistências e a suas esperanças. A gente quis retratar isso da forma mais fiel possível, mas sem abrir mão da qualidade técnica, poética, estética”, destacou o doutor em Teatro pela Universidade de Coimbra.

O GEPI

O Grupo de Estudos em Práticas de Interpretação foi criado no curso de Licenciatura em Teatro do Instituto Federal do Ceará, em setembro de 2023, desenvolvendo suas pesquisas e atividades artísticas até hoje.

O grupo é composto por quatro atores, uma dramaturga, todos inseridos na atual cena teatral cearense, sendo orientado e dirigido pelo professor e encenador teatral Thiago Arrais, contando ainda com a colaboração da artista musical estadunidense e professora da Escola de Música da UFRN, Heather Dea Jennings, e da artista visual e cientista social cearense, Landunic.