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Empregados CLT poderão usar eSocial para solicitar crédito consignado aos bancos

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad- Foto: Dney Justino

O Governo Federal apresentará uma proposta que permite que bancos possam utilizar  eSocial, sistema eletrônico obrigatório que unifica informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais de empregadores e empregados de todo o país, para oferecer crédito consignado aos cerca de 42 milhões de trabalhadores com carteira assinada (CLT) que atuam no setor privado. Atualmente, a legislação já permite que os trabalhadores tenham acesso a esse empréstimo, mas requer a assinatura de convênios entre empresas e bancos, tornando o processo burocrático para pequenas e médias empresas. O projeto foi discutido em reunião com o presidente Lula (PT), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, além dos dirigentes de cinco dos maiores bancos públicos e privados do país: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

“A empregada doméstica, o funcionário que atende uma família, ele tem lá o seu registro, o seu recolhimento, mas ele não tem acesso ao crédito consignado. Ou de uma pequena empresa, uma pequena loja, uma padaria, uma farmácia. Dificilmente um empregado do Simples [regime simplificado de enquadramento de empresas], um empregado de uma pequena empresa, terá acesso ao consignado, porque exige uma série de formalidades da empresa com os bancos”, explicou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. 

O crédito consignado se trata de um empréstimo que desconta as parcelas diretamente do salário ou benefício do devedor. A modalidade oferece taxas de juros mais baixas, sendo uma das mais utilizadas no Brasil por servidores públicos e aposentados e pensionistas do INSS. Para viabilizar o projeto, o Governo deve editar uma Medida Provisória (MP) em fevereiro. “Você vai consignar no eSocial, que é algo que toda empresa hoje tem que aderir para fazer o recolhimento do que deve ao trabalhador em termos de INSS, fundo de garantia [FGTS], imposto [de renda] retido na fonte e assim por diante. Então, o eSocial se transformou num veículo que permite o crédito consignado privado”, disse Haddad.

O presidente-executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, cita alguns benefícios da nova forma de empréstimo.

“Nós vamos ter uma capacidade de fazer com que os bancos não mais precisem fazer convênios com micro, pequenas, médias e grandes empresas. Esse hoje é o grande gargalo do crédito privado. São milhões de empregadores, riscos diferenciados, setores da economia diferenciados, e os bancos não conseguem mapear o risco de crédito dos trabalhadores. Tendo uma gestão centralizada pelo e-Social, conectando nos aplicativos bancários, os bancos vão poder ofertar taxas, vão poder ofertar linha de crédito e os trabalhadores vão conseguir acessar o novo consignado”,disse.

REGRAS

Entre as regras do empréstimo que devem permanecer está o limite do consignado para trabalhadores celetistas, como o teto de 30% do salário comprometido com o empréstimo e a possibilidade de usar 10% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o total da multa recebida por demissão sem justa causa para o pagamento dos débitos, em caso de desligamento do emprego.

“Nós estamos estimando que esses R$ 40 bilhões possam triplicar, o que significa dizer que essa carteira de crédito pode chegar a uns R$ 120 bilhões, R$ 130 bilhões, desde que nós tenhamos condições de acesso a essa plataforma [eSocial] e que os aplicativos dos bancos, os canais dos bancos, também possam ser veículos de oferta desse produto. Depende da norma que vier, da regulamentação e o quanto os bancos vão poder se integrar nessa plataforma”, explicou o presidente da Febraban Isaac Sidney.