A Pinacoteca do Ceará recebe Vilma Santos e José Eduardo, os fundadores do Acervo da Laje para aula aberta “O Acervo da Laje e a construção de acervos, educação, memórias e artes na periferia de Salvador, Bahia”. A atividade acontece, neste sábado (25), a partir das 16h, e discute também a importância da descentralização dos museus nas grandes cidades brasileiras. A pouca presença de equipamentos culturais desse tipo nas periferias foi o que motivou a criação do Acervo da Laje na Bahia, visando fomentar a memória e as atividades artísticas no Subúrbio Ferroviário de Salvador (SFS).
O momento acontece no auditório do museu, que integra a Rede de Equipamentos e Espaços Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (SECULT-CE) e é gerido em parceria com o Instituto Mirante, é gratuito e acessível em Libras. A aula aberta promove também um diálogo sobre a preservação e a manutenção da memória nas periferias, além de discutir os desafios na captação de recursos, fundamentais para a abertura de novas exposições, manutenção do acervo e permanência das atividades formativas.
A conversa se propõe também a ser uma troca entre diferentes equipamentos culturais e experiências sobre preservação da memória e diálogo com a comunidade. Vilma e José Eduardo mergulham nas atividades desenvolvidas no Acervo da Laje, como visitas mediadas nos espaços expositivos e na reserva técnica e oficinas com artistas e moradores da comunidade.
O ACERVO
Localizado no bairro de São João do Cabrito, o Acervo Laje atua há 15 anos para a memória cultural, artística e de pesquisa sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador, que reúne 22 bairros e conta com uma população majoritariamente negra. Já foram realizadas 12 exposições no equipamento, entre elas a mostra fixa “A beleza do subúrbio”, realizada por estudantes que vivem na SFS. A mostra está disponível no acervo virtual do museu. O Acervo da Laje também acumula prêmios e mantém uma sala de música, além de hemeroteca e galeria virtual.
Proporcionar o encontro das pessoas com as obras e os artistas é um dos objetivos do espaço, assim como estimular pesquisas e a ressignificação da imagem da periferia, por meio da valorização da memória, cultura e elaborações estéticas. O acervo, que inclui desde CDs a esculturas em madeira, é adquirido por meio de compras, doações ou objetos encontrados no lixo. O espaço conta também com o Acervinho, um projeto educativo voltado para crianças, e o Ocupa Lajes, iniciativa de formação, democratização e circulação das artes visuais em Salvador, que já realizou 16 oficinas gratuitas, quatro bate-papos sobre artes visuais e onze exposições visuais.
OS PROFESSORES
- Vilma Santos é mulher negra, educadora desde os anos 1990, foi coordenadora voluntária da Pastoral da Criança, Pastoral Afro e Pastoral Carcerária, fundadora do Acervo da Laje, onde coordena a seção educativa, realizou, como curadora e coordenadora as exposições artísticas “1ª Exposição Pública do Acervo da Laje” (2011), na antiga casa de Lázaro e Vera, em Novos Alagados “As águas suburbanas no Acervo da Laje” (2012), no Centro Cultural Plataforma; A beleza do Subúrbio” (2013), nas ruínas da antiga Fábrica de Tecidos São Braz, em Plataforma; 3ª Bienal da Bahia (2014), no Acervo da Laje, Casa 1; “Memórias Afetivas do Subúrbio Ferroviário de Salvador” (2018) no Subúrbio 360, no bairro de Vista Alegre e participou como convidada da 31ª Bienal de São Paulo “Como falar de coisas que não existem” na mesa “Usos da Arte” (2014).
- José Eduardo Ferreira Santos é Pedagogo (UCSal), mestre em Psicologia (UFBA), doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia e fez estágio pós – doutoral em Cultura Contemporânea (PACC – UFRJ), no Instituto de Psicologia da UFBA e no Programa de Pós – Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da UCSal, pelo Programa Nacional de Pós – Doutorado (PNPD – CAPES). Curador e responsável, junto com Vilma Santos, pelo Acervo da Laje, que reúne obras artísticas e históricas do Subúrbio Ferroviário de Salvador e de toda a cidade.
PINACOTECA DO CEARÁ
Inaugurada em dezembro de 2022, a Pinacoteca do Ceará tem a missão de salvaguardar, preservar, pesquisar e difundir a coleção de arte do Governo do Estado, sendo espaço de ações formativas com artistas, comunidade escolar, famílias, movimentos sociais, organizações não-governamentais e demais profissionais do campo das artes e da cultura. Trata-se de um espaço de experimentação, pesquisa e reflexão para
promover o diálogo entre arte e educação a partir de práticas artísticas. Desde a abertura, o museu já recebeu mais de 165 mil visitantes
