O senador cearense Eduardo Girão (Novo) é candidato à presidência do Senado. Chegando aos seus dois últimos anos na ocupação de uma das cadeiras da Casa do Legislativo, ele concorre para presidi-la para o biênio 2025/2026. A eleição, que ocorre no dia 1º de fevereiro, tem como outros candidatos Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) – apoiado pelo Governo e grande favorito – e o Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Girão vê a possibilidade de voto aberto na eleição como um possível diferencial no pleito.
Conforme o Regimento Interno do Senado, a eleição da Mesa Diretora ocorre em quatro escrutínios secretos: um primeiro, para a Presidência; na sequência, para os dois vice-presidentes; depois, para os quatro secretários; e, por fim, para os quatro suplentes.
No entanto, é possível, por meio de um requerimento assinado pelos senadores, que o voto seja aberto. Uma situação semelhante já ocorreu em 2019, quando Renan Calheiros (MDB-AL) era candidato ao seu quarto biênio à frente da Casa. No ano, foi apresentado um Projeto de Resolução (PRS), que não teve assinaturas suficientes. Entretanto, na sessão para a eleição do novo presidente, após questão de ordem levantada pelos parlamentares, chegou-se à decisão de que os legisladores mostrariam suas cédulas de voto. Renan Calheiros, então candidato, retirou seu nome após o início do processo.
“Fui de senador a senador buscar assinaturas para que houvesse um requerimento ao voto aberto. Nós conseguimos uma mobilização grande e muitos senadores mostraram o voto. Foi aí que nós conseguimos derrotar o Renan Calheiros, que estava certo no voto secreto para ganhar”, disse Girão ao OPINIÃO CE.
À época, Calheiros era alvo da Operação Lava Jato. De acordo com o senador cearense, “assim como a população não queria o Renan Calheiros, ela não quer o Davi Alcolumbre”. Com o voto aberto tido como decisivo, a esperança do parlamentar é de que haja uma nova mobilização da sociedade brasileira, “pedindo aos senadores que mostrem o voto”. “Aí a gente tem chance de levar essa eleição”, acrescentou. Girão completou que dois terços dos 81 senadores vão buscar a reeleição em 2026, e que ficaria “feio”, para eles, esconder o voto.
Conforme o parlamentar, ele tem tido bons diálogos com os seus colegas de parlamento. “A gente sabe que o jogo é bruto. O Davi é um forte candidato porque o governo Lula praticamente terceirizou para ele as emendas parlamentares, ele é que distribui dentro do Senado”, acusou o parlamentar do Novo. “Mas eu acredito muito na capacidade de reflexão de cada senador, de perceber que o Senado tá na lama. O Senado, a imagem dele perante a opinião pública, é muito ruim. A gente precisa levantar a casa. Para levantar a casa não pode ter continuidade, tem que ter uma alternância de poder. Por isso que eu estou colocando o meu nome”, concluiu.
O senador cearense, aliás, defendeu que mais candidaturas sejam apresentadas. “Quanto mais candidaturas tiverem, melhor, porque a eleição, não se esqueça, são dois turnos”. Em uma primeira votação, caso um candidato não alcance os 41 votos, haverá um turno adicional com os dois primeiros. “No segundo turno, se eu tiver mais votos que ele [Marcos Pontes] ou ele tiver mais votos que eu, é claro que a gente vai se apoiar”, disse. Marcos Pontes, aliás, colocou o seu nome contra a decisão do PL de apoiar Alcolumbre. O ex-presidente Jair Bolsonaro, principal líder do partido, já criticou publicamente a decisão do astronauta.
PRINCIPAIS PROPOSTAS DE GIRÃO
Ainda ao OPINIÃO CE, Girão destacou quais são suas principais propostas caso chegue à Presidência do Senado. “Minha candidatura visa levantar a Casa para que ela cumpra os seus deveres junto a Constituição do Brasil”, disse. Como acrescentou, apenas os senadores poderiam investigar, por exemplo, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, ele sinaliza para as seguintes ações:
- Resgate da Operação Lava-Jato;
- Fim do foro privilegiado;
- Volta da prisão em segunda instância;
- Anistia aos “presos políticos” do dia 8 de janeiro de 2023;
“Também vou fazer um trabalho – e dou o exemplo no meu mandato – reduzindo desperdícios e privilégios que os senadores têm: direito a carro com motorista, apartamento funcional, plano de saúde vitalício, auxílio-moradia. Tudo isso eu recusei e consegui fazer das verbas de gabinete menos da metade do que está disponível”, completou.
De acordo com o senador, a Câmara Alta do Legislativo é, atualmente, “um peso morto no Brasil”. “Tenho deixado muito claro, na nossa proposta, de que o Senado volte a ter protagonismo e altivez, para que haja a separação e o reequilíbrio entre os poderes da República”.
