O Sindicato dos Médicos do Ceará denunciou que pelo menos 10 municípios do Ceará estão em atraso no pagamento de médicos. Os atrasos chegaram à entidade por meio de denúncias formais dos profissionais. Dentre as cidades, estão a capital Fortaleza e Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). As duas gestões enfrentam transições conturbadas. Conforme o Sindicato, as pendências envolvem cooperativas, organizações sociais (OSs), empresas terceirizadas e as Secretarias Municipais de Saúde.
Confira a situação de cada município – entre parênteses, as cooperativas, OSs ou terceirizadas responsáveis pela(s) unidade(s):
Fortaleza
- UPAs Vila Velha, Bom Jardim e Cristo Redentor (VIVA RIO): atraso no pagamento referente a dezembro de 2024;
- UPAs Jangurussu, Itaperi e Edson Queiroz (Instituto IDEAS): atraso no pagamento referente a dezembro de 2024;
- Atenção Secundária – Gonzaguinhas e Frotinhas (COAPH): atraso nos pagamentos de outubro, novembro e dezembro de 2024;
- Postos de Saúde (COAPH): atraso nos pagamentos de outubro, novembro e dezembro de 2024;
- Samu Fortaleza (COAPH): atraso nos pagamentos de outubro, novembro e dezembro de 2024;
- Programa Mais Médicos: atraso nas ajudas de custo de outubro, novembro e dezembro de 2024.
Caucaia
- UPAs Centro e Jurema (RM Gestão): atraso nos pagamentos de outubro, novembro e dezembro de 2024;
- Hospital Municipal Abelardo Gadelha da Rocha (RM Gestão): atraso nos pagamentos de novembro e dezembro de 2024;
- Hospital e Maternidade Santa Terezinha e Hospital Municipal Abelardo Gadelha da Rocha (COOPANEST): atraso no pagamento dos anestesiologistas cooperados referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2024;
Acopiara
- Hospital Municipal de Acopiara e Centro Integrado de Saúde (SAUDECOP): atraso no pagamento dos plantões de outubro, novembro e dezembro de 2024;
Altaneira
- Médicos contratados no município: atraso no pagamento referente a dezembro de 2024;
Capistrano
- Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Nazaré: atraso no pagamento referente a dezembro de 2024;
Cascavel
- Unidade de Convivência do Autista (KOS Medical): atraso nos pagamentos de outubro, novembro e dezembro de 2024;
Icapuí
- Hospital Municipal de Icapuí (SAMA): atraso no pagamento dos plantonistas referente a outubro de 2024;
Iguatu
- UPA de Iguatu (COOPAIS): atraso nos pagamentos de novembro e dezembro de 2024;
Itaiçaba
- Programa Mais Médicos: atraso na ajuda de custo referente a janeiro de 2025, com prazo para pagamento até 24/01/2025;
Pacatuba
- UPA de Pacatuba (COOPECE): atraso nos pagamentos de novembro e dezembro de 2024.
O OPINIÃO CE entrou em contato com as Prefeituras. A gestão de Altaneira afirmou que a prefeita Késia Alcântara (PSB) está em contato com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) para fazer o cronograma de pagamento dos servidores, “visto que não foi só a classe médica que foi atingida, e sim todas as classes“, conforme o Executivo, por dívida deixada pela gestão do ex-prefeito, Dariomar (PT). “Não deixou saldo suficiente nas contas para o pagamento da folha empenhada”, completou a nota.
A Prefeitura de Caucaia, também com mudança no grupo político que assumiu o Executivo, informou que os salários referentes aos meses de novembro e dezembro de 2024 “nem sequer chegaram a ser empenhados pela gestão anterior”, do ex-prefeito Vitor Valim (PSB). “Por isso, para efetuar o pagamento da categoria, a atual gestão precisa dar início ao procedimento administrativo de reconhecimento de dívida. Compreendendo a relevância do serviço prestado à população de Caucaia e com a intenção de normalizar os atendimentos com a maior celeridade possível, o prefeito Naumi Amorim [PSD] já autorizou o início do processo de reconhecimento da dívida e os processos estão em tramitação. A Prefeitura reforça ainda que segue em permanente diálogo com os profissionais de saúde para pagar os salários atrasados da gestão passada”, conclui.
As outras Prefeituras não retornaram.
Ainda de acordo com o Sindicato, o Departamento Jurídico está em diálogo com os responsáveis para cobrar respostas e providências. Segundo a entidade, os atrasos prejudicam o funcionamento do sistema público de saúde, afetam a motivação dos profissionais e colocam em risco a continuidade e a qualidade do atendimento à população.
“Essa situação é inaceitável, principalmente quando consideramos que os médicos estão na linha de frente do atendimento à população. A falta de pagamentos reflete uma grave falha na gestão pública e prejudica não apenas os profissionais, mas também os pacientes que dependem do SUS”, afirmou Dr. Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará.
