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Alece recebe Frei Xavier, amigo próximo de Frei Tito, para encontro sobre luta na Ditadura

Na próxima sexta-feira (24), o III Anexo da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) recebe Frei Xavier Plassat, um dos amigos mais próximos de Frei Tito, frade católico cearense mártir da Ditadura Civil-Militar no Brasil, para o encontro “Diálogos sobre Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. O momento acontece a partir das 15h, onde o frade dominicano dará o testemunho sobre o período de repressão e falará sobre a luta de Frei Tito pelos direitos humanos e pela democracia.

O deputado estadual e presidente da CDHC e CPCV na Alece, Renato Roseno, convidou a população para se fazer presente no encontro, que contará com a presença da própria família de Frei Tito.

“Quero fazer um convite para você que, como nós, sabe que é muito importante sempre manter a memória, a busca da verdade e da justiça, sobretudo em razão dos crimes cometidos pelo estado brasileiro durante a Ditadura civil Militar de 1964 a 1985. Um dos maiores mártires desta ditadura, o dominicano Frei Tito de Alencar de Lima, cearense que morreu em razão das torturas da Ditadura em 1974”, pontuou o parlamentar.

O debate é uma realização da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alece, do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar, em parceria com a Associação dos Amigos da Casa de Frei Tito e apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT).

FREI TITO

Nascido em Fortaleza, Tito começou a participar de encontros da Juventude Estudantil Católica (JEC) na adolescência. Em outubro de 1968, quando estudava Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Frei Tito foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, São Paulo. Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar, e foi preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, sendo submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

No ano seguinte, foi levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban), onde também sofreu torturas. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos, Tito foi banido do Brasil pelo governo Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de ser novamente preso, fugiu para a Itália e depois França, onde infelizmente cometeu suicídio em decorrência dos traumas gerados pelos anos de tortura.