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Fagner celebra cinco décadas de poesia musical

Cearense de Orós, Raimundo Fagner faz parte de um panteão de artistas que conseguiu acertar uma combinação rara: criar músicas de alto valor poético e arranjos criativos, sem torná-las difíceis ao ouvido do público. O pop e o popular, para Fagner, não são inconciliáveis com a grande arte da canção.

O show que apresenta neste sábado (11), no Iguatemi Hall, traz essa marca: de ponta a ponta, versos e notas que o público sabe de cor e canta junto, sem apelar para fórmulas fáceis. Fagner 50 anos é uma apresentação especial, na qual o veterano revisita criações de diversas fases de sua trajetória.

Canteiros, Fanatismo, Revelação, Quem Me Levará Sou Eu, Mucuripe, Asa Partida, Espumas ao Vento, Romance no Deserto, Guerreiro Menino e Borbulhas de Amor são clássicos presentes no repertório. Fagner é camaleônico, ainda que cada uma dessas músicas tenha sua marca e assinatura: baião, latinidades, boleros, rock, folk, pop; melancolia, romantismo e poesia.

A celebração não é saudosista. Ao contrário, prova a atualidade do cancioneiro de Fagner e confirma a qualidade de sua atual fase. O artista que sobe ao palco neste sábado segue produtivo. Só no último ano, foram dois álbuns lançados. Além desse futuro (2024) é um trabalho autoral, de canções inéditas, com belas composições escritas por colaboradores importantes para a história do artista, como o cearense Fausto Nilo e o maranhense Zeca Baleiro. Dessa nova safra, Fagner escolheu algumas canções para o show.

O segundo lançamento do ano foi Destinos, em parceria com Renato Teixeira. Em dupla, já haviam lançado Natureza (2022). Entre inéditas e clássicos (caso de Romaria), Fagner e Renato Teixeira dividem no disco uma lista de parceiros eclética, de Roberta Sá a Evandro Mesquita.

PARCERIAS

Fagner passou de promessa local a sucesso nacional cinco décadas atrás. Elis Regina gravou, já em 1972, uma canção do jovem compositor: Mucuripe (parceria com outra referência do cancioneiro cearense, Belchior). No mesmo ano, Fagner estreou com um compacto duplo, seguido por seu primeiro álbum, o clássico Manera Fru Fru, Manera (1973).

Fagner gosta de criar nos estúdios. Em pouco mais de 50 anos de trajetória, foram quase 40 álbuns, a maioria de projetos solos, outros em dupla, com Gonzagão e Zé Ramalho, por exemplo. O resultado é um repertório extenso, que inclui os muitos sucessos radiofônicos e as trilhas de novela, mas não se esgota. Para os shows, Fagner costuma investir em uma seleção plural, uma amostragem precisa da riqueza musical de sua obra.

Gravando ou tocando ao vivo, o artista mantém a tradição de estar sempre bem acompanhado. É um perfeccionista no que diz respeito ao som e à banda, para fazer chegar ao público suas criações na melhor forma. A apresentação é uma das primeiras que Fagner faz no Ceará após a morte do guitarrista Cristiano Pinho, amigo e escudeiro musical por três décadas.