A Coalizão Direitos na Rede divulgou nesta quarta-feira (8) um manifesto contra a alteração nas políticas de moderação da Meta, empresa controladora das plataformas WhatsApp, Facebook, Instagram e Threads.
O empresário Mark Zuckerberg, proprietário da big tech anunciou, na terça-feira (7), o fim do programa de checagem de fatos que verifica a veracidade de informações que circulam nas redes; das restrições para assuntos como migração e gênero; e a promoção de conteúdo cívico, entendido como informações de teor político-ideológico.
“Sob o pretexto de restaurar a liberdade de expressão, as propostas delineadas não apenas colocam em risco grupos vulnerabilizados que usam esses serviços, mas também enfraquecem anos de esforços globais para promover um espaço digital um pouco mais seguro, inclusivo e democrático. A empresa sinaliza que não terá mais ações de moderação de conteúdos contra desinformação, discurso de ódio e outras políticas de proteção a favor das pessoas mais vulnerabilizadas. O CEO da Meta explicitamente admite aceitar os riscos de que essas novas políticas possam filtrar menos conteúdos nocivos do que as anteriores”, diz a nota assinada por 75 entidades.
O documento é assinado, entre outras entidades, pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia (ABJD), Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Ação Educativa, e Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.
Segundo o texto, as políticas de moderação de conteúdo das redes da Meta são falhas, tornando possíveis práticas de violência de gênero, ações contra a proteção de crianças e adolescentes, além de permitir o crescimento de grupos que propagam discurso de ódio e desinformação.
Para a coalizão, as novas medidas propostas pioram a situação ao negligenciar os impactos reais dessas práticas de violência online. “Além de abrir caminho para a proliferação de conteúdos prejudiciais que desestabilizam sociedades e minam processos democráticos”, reforça a nota.
O texto diz ainda que a Meta ataca de forma aberta os esforços democráticos das nações preocupadas em proteger as populações contra os danos provocados pelas big techs.
“Com isso, prioriza, mais uma vez, os interesses estadunidenses e os lucros de sua corporação em detrimento da construção de ambientes digitais que prezam pela segurança de seus consumidores. O anúncio [da Meta] é emblemático de um problema estrutural: a concentração de poder nas mãos de corporações que atuam como árbitros do espaço público digital, enquanto ignoram as consequências de suas decisões para bilhões de usuários. Esse retrocesso não pode ser visto como um mero ajuste de políticas corporativas, mas como um ataque frontal desse monopólio de plataformas digitais às conquistas de uma internet mais segura e democrática”, encerra o texto da Coalizão Direitos na Rede.
Com informações da Agência Brasil.
