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Após dois anos, obras restauradas no 8 de Janeiro retornam ao Palácio do Planalto

Para viabilizar a recuperação das obras, uma inédita estrutura laboratorial de restauração foi montada no Palácio da Alvorada -Foto: Wallisson Breno/Audiovisual

O Palácio do Planalto começou a receber, na segunda-feira (6), as primeiras obras totalmente restauradas do acervo presidencial, escoltadas por agentes da Polícia Federal (PF). No total, foram entregues cinco obras. Após dois anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, o presidente Lula (PT) realizará, nesta quarta-feira (8), uma programação em memória ao episódio como forma de repúdio aos ataques antidemocráticos, contando com a reincorporação de 21 obras de artes que haviam sido parcialmente destruídas durante a invasão. Além da entrega das obras, está previsto entre as atividades o Abraço da Democracia, que terá a participação popular na Praça dos Três Poderes. 

Entre as obras que já foram restauradas que foram entregues está o quadro As Mulatas, de Di Cavalcanti, uma tela com mais de 3,5 metros de largura por 1,2 metro de alturas. Considerada uma das principais obras do Salão Nobre do Planalto, o quadro foi perfurado ao menos sete vezes pelos vândalos durante o ataque em Brasília. Totalmente recuperada, a escultura de bronze O Flautista, de Bruno Giorgi, que possui 1,6 metro de altura, também retornou ao Palácio. A obra havia sido quebrada em quatro partes. 

Outra entrega realizada foi uma ídria italiana (um tipo de vaso cerâmico branco e azul), do período do Renascimento. A obra foi despedaçada durante a invasão e foi restaurada em um minucioso trabalho que contou com técnicas avançadas de raio-x e análise microscópica de esmalte e pigmentos. Também foi devolvida a escultura Vênus Apocalíptica Fragmentando-se, de Marta Minujín, uma artista argentina, além da escultura de madeira Galhos e Sombras, de Frans Krajcberg, artista polonês naturalizado brasileiro. 

Um das atividades previstas para cerimônia de quarta-feira, o presidente Lula vai descerrar o quadro de Di Cavalcanti, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Outra devolução simbólica será a do relógio do século XVII, que foi construído pelo relojoeiro Balthazar Martinot Boulle, incorporado ao acervo brasileiro como presente da corte francesa ao imperador Dom João VI, em 1808. Durante o ataque, a peça havia sido derrubada com violência por Antônio Cláudio Alves Ferreira, um dos invasores presos nos atos golpistas. Tanto o relógio quanto a caixa da obra foram revitalizados na Suíça, por meio de outro acordo formalizado com a Embaixada do país europeu no Brasil. 

RESTAURAÇÃO

A recuperação das obras foi realizada em uma inédita estrutura laboratorial de restauração montada no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, por meio da Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais e da Coordenação-Geral de Administração das Residências Oficiais. A iniciativa se deu a partir de uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que possui experiência em conservação e restauração de peças de arte. Com investimento de R$ 2,2 milhões, o acordo durou cerca de um ano e nove meses, com repasses feitos pelo Iphan à UFPel, para a aquisição de equipamentos, contratação de bolsistas e gastos logísticos.