O Ministério Público (MPCE) e a Polícia Civil (PCCE) deflagaram, na manhã desta segunda-feira (30), a segunda fase da Operação Castelo de Cartas, em Ubajara, na Serra da Ibiapaba. Os policiais civis cumpriram dois mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura e na residência do servidor municipal suspeito de participar de um suposto esquema de desvio de recursos públicos daquele município.
Os policiais civis e os representantes do MPCE apreenderam contratos de licitações, ordens de pagamento e o aparelho celular do investigado, que irão subsidiar as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Ceará e pela PCCE. O servidor poderá responder por crimes contra a Administração Pública.
Conforme as investigações, o suspeito se aproveitava da condição de ser servidor público municipal para comandar o esquema. A organização criminosa ainda seria composta por outras quatro pessoas, entre empresários e “laranjas”, além de uma empresa de autopeças e um posto de combustíveis. Os cinco suspeitos haviam sido alvos da primeira fase da operação, deflagrada na última quinta-feira (26). Diante do material apreendido, o MPCE solicitou ao Poder Judiciário o cumprimento de novos mandados de busca e apreensão, o que foi autorizado pela Justiça no domingo (29).
O ESQUEMA CRIMINOSO
Segundo as investigações, o servidor público possivelmente envolvido no esquema desviava peças compradas pela gestão municipal para fazer a manutenção de veículos da frota do transporte escolar, porém, esses itens não eram efetivamente instalados.
Outra suspeita era de que o servidor também estaria se apropriando de combustível, por meio de vales a serem pagos posteriormente pela Prefeitura. A investigação aponta que ele inseria as placas de carros pertencentes ao poder público municipal como se tais veículos estivessem sendo abastecidos, quando, na verdade, ele se apropriava do combustível pago com dinheiro público.
O MP do Ceará e a Polícia Civil ainda investigam possível enriquecimento ilícito por parte do servidor, já que há a suspeita de que ele possui patrimônio incompatível com a remuneração recebida no serviço público, evidenciado pela aquisição de veículos e imóveis cuja propriedade estaria em nome de terceiros.
A OPERAÇÃO
A operação recebeu o nome de Castelo de Cartas, dada a fragilidade que a estrutura tem quando se retira uma carta, já que as demais podem cair facilmente.
