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Campanha de 2024 foi recordista em violência política; mulheres são principais vítimas

Desde 2016, 1.583 episódios de violência política foram registrados. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A campanha para as eleições municipais de 2024 foi recordista em violência política na última década, conforme pesquisa realizada pelas organizações Justiça Global e Terra de Direitos, lançada nesta segunda-feira (16). Entre novembro de 2022 e outubro de 2024, conforme o balanço, o Brasil registrou 714 casos de violência dirigida a pessoas que se candidataram. Esse foi o maior número desde o início da série histórica, iniciada em 2016. Segundo análise das entidades que fizeram o levantamento, a impunidade é responsável pelo crescimento no número de casos.

As eleições municipais na série histórica tiveram uma elevação dessa situação. Em 2016, foram registrados 46 casos. Esse número cresceu para 214 casos em 2020 e, em 2024, houve um salto para 558 casos. Isso representa aumento de 344 casos nos quatro anos entre 2020 e 2024 ou crescimento de aproximadamente 2,6 vezes em relação a 2020. Comparando com 2016, o aumento é de 12 vezes.

No Estado do Ceará, foram registrados 35 casos entre novembro de 2022 e 27 de outubro de 2024. Desse total, foram registrados dois casos de assassinato, oito atentados, seis agressões, 11 ameaças e oito ofensas.

BRASIL

O estudo analisa os episódios de violência política desde 2016, sendo possível observar que 2024 é o ano mais violento de toda a série histórica. Dos casos, quase 75% aconteceram apenas entre agosto e outubro, meses do período eleitoral. Desde 2016, 1.583 episódios de violência política foram registrados no País. Ainda segundo o levantamento, em setembro de 2024, o número de casos noticiados alcançou seu ponto mais alto, com 212 casos monitorados, 78 deles contra mulheres. Isso significa que houve, em média, cerca de 7 casos de violência política registrados por dia. O período foi seguido por uma redução no mês seguinte.

De 1º a 6 de outubro de 2024, semana anterior ao primeiro turno das eleições, foram registrados 102 casos de violência política. Ou seja, a média foi de aproximadamente 17 casos por dia. Os dados apontam que o período de campanha eleitoral está diretamente relacionado ao aumento dos casos de violência política e que o acirramento das disputas amplifica os conflitos e tensões.

“Embora se observe queda nos registros de violência política do primeiro para o segundo turno, a continuidade das campanhas para prefeituras no segundo turno, juntamente com casos de retaliação contra candidatos/as eleitos/as ou não após o primeiro turno, contribuíram para que os registros de violência no mês de outubro persistissem”, destaca o levantamento.

VIOLÊNCIA POR GÊNERO

O levantamento apontou também um recorte enquanto ao gênero dos envolvidos nos casos de violência. Mesmo que os homens tenham sido maioria, foram registrados 262 casos entre mulheres cisgênero, representando 36,69% do total. As mulheres transgênero representam 12 casos (1,68%). Conforme o estudo, embora os números absolutos sejam baixos, “a presença desses casos nos leva a refletir sobre os desafios adicionais enfrentados por pessoas transexuais e travestis em contextos políticos, incluindo discriminação, que impacta tanto na representação quanto na segurança no contexto político”, reforça os pesquisadores.

O ataques virtuais compõem cerca de 40% das ocorrências contra mulheres e 73,5% das ofensas no período pré-eleitoral ocorreram em ambientes parlamentares ou de campanha, sendo que 80% dos agressores eram homens cisgênero, também parlamentares. A maioria dos casos de violência política está concentrada em homens cisgênero, com 440 casos, 61,62% do total. O que indica que homens cisgênero são o grupo mais afetado em números absolutos, devido à maior presença em cargos políticos, sendo também a maioria entre os agressores.