“Ê, mas peraê, ouça o forró tocando e muita gente aê. Não é hora pra chorar”. Um dos trechos de Xote dos Milagres, da banda Falamansa, demonstra a importância popular de um dos gêneros mais influentes da história musical do País. Neste 13 de dezembro se comemora o Dia Nacional do Forró, em homenagem ao cantor, compositor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, conhecido como ”Rei do Baião”, que nesta data completaria 112 anos.
- Em 2025, o Forró de Raiz deu um passo histórico rumo ao reconhecimento mundial. Pesquisa aponta, ainda, que há uma preferência do fortalezense pelo forró é mais que o dobro da média nacional.
No Ceará e em todos os estados da região Nordeste, o ritmo é celebrado e amado, e marca uma história centenária de muita arte, tradição, memória, oralidade e regionalismo. Nomes cearenses atuais como Zé Cantor e Taty Girl ganharam espaço nacionalmente e levam o ritmo alencarino para o País.
Foi na mesma data, do ano de 2022, que as Matrizes Tradicionais do gênero tornaram-se Patrimônio Cultural do Brasil, celebrando o impacto e relevância da manifestação para Brasil. Dez anos antes, a Associação Cultural Balaio do Nordeste, da Paraíba, já havia solicitado a sua patrimonialização.
O projeto foi efetivamente iniciado em maio de 2019, por meio de uma cooperação entre o Iphan e a Associação Respeita Januário, lançado durante o Seminário Forró e Patrimônio Cultural, realizado no Centro Cultural Cais do Sertão e no Paço do Frevo, em Recife.
Já em novembro de 2023, Lula (PT) promulgou a Lei que oficializou o forró como uma manifestação cultural nacional do Brasil.
Mas quando a data surgiu? O dia escolhido foi decretado pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República, pela Lei Nº 11.176, de 6 de setembro de 2005, a partir de sugestão da então deputada federal Luiza Erundina e rememorou e celebrou a vida e trajetória artística do cantor pernambucano Luiz Gonzaga, reconhecido por levar e disseminar o gênero e suas vertentes pelo País (xote, xaxado, baião, rojão, côco, maracatu, chamego, quadrilha, o arrasta-pé e o pé-de-serra), ao lado também de cantores como Dominguinhos. Nascido em Exu, interior de Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912, Gonzaga faleceu em 2 de agosto de 1989.
Jean Santiago, musicista cearense e integrante da banda natural de Fortaleza “Trio Forrozim”, em que canta e toca zabumba, ao lado dos companheiros Daniel Andrade e Aline Almeida, destaca ao OPINIÃO CE a relevância e desafios do gênero no Ceará.
“O forró tem uma forte importância para todos nós, sendo uma das principais manifestações culturais que une as pessoas. Essa interação meche não só com a parte musical, mas no geral. Falamos de poesia, de dança, de conhecer pessoas e unir culturas. Luiz Gonzaga foi um grande responsável em levar o forró pé-de-serra para o mundo através do rádio e d0 disco, na época, imagine só nos dias de hoje?”, pontuou o artista

Para ele, no Estado do Ceará o forró se mantém forte, mas, infelizmente, tem sofrido queda a cada dia, com poucos bares e equipamentos que incentivam e focam no gênero.
“Não devemos deixar isso morrer. O Forró foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Cultura brasileira e o Dia Nacional do Forró é um momento para celebrar a difusão dessa cultura e dos músicos que fazem desse ritmo uma forma de movimentar a cidade, inclusive nas festas juninas”, continuou o músico, que veio do ciclo de quadrilhas juninas, como a conhecida “Zé Testinha”.
O musicista destaca que, embora o Forró seja um espaço de interação, de troca de contatos, encontros de pessoas e artistas da cidade, com a forte presença de forrozeiros em Fortaleza, existe a dificuldade de os artistas acessarem editais de Cultura, por conta da burocracia, documentações e seleções.
Ele também lamenta a ausência de programação voltada para o gênero, em especial na data de hoje.
“Tem incentivo, mas não tem o apoio ao artista que quer utilizar esse incentivo, então, a gente está precisando de mais força pra isso. Não está tendo nenhum evento em Fortaleza sobre isso hoje [13], por exemplo. As pessoas têm que ter noção da dimensão dessa manifestação, do Forró pé-de-serra”, concluiu ele.
Na noite desta sexta, o Trio Forrozim se une com as bandas Muringa e Os Lamparinos, além dos artistas Lelé Matias, Brenno Cruz e Juan Torquato, no Bomtequim, tradicional bar de Fortaleza, localizado no bairro Bela Vista. O evento, que foi uma iniciativa dos próprios artistas, sem incentivo público, começa a partir das 20h, com entradas de R$ 25. Mais informações podem ser conferidas no Instagram do trio.
