Menu

Secretário detalha investigação de caso raro de ameba que matou criança em Caucaia

A doença é contraída, principalmente, por pessoas que nadam em rios, lagos ou açudes contaminados- Reprodução/Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)

Após a morte suspeita de uma criança de 1 ano e 3 meses, em Caucaia, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) está investigando um caso raro de meningoencefalite amebiana primária, doença provocada pela Naegleria fowleri e conhecida popularmente como ameba comedora de cérebro. Com 147 ocorrências da bactéria em todo o mundo, o caso no município cearense, se confirmado, será o primeiro registrado no Brasil. A taxa de letalidade da ameba chega a 97%, indicando o alto risco da condição. Em entrevista ao OPINIÃO CE, o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), Antônio Lima, explica como foi possível identificar a doença a partir dos sintomas e da realização de necropsia. 

“A partir do dia 19 de setembro deste ano, que foi a data de ocorrência do óbito da criança de um ano e três meses, se apresentou um quadro inicialmente similar a outras viroses, infecções bacterianas, amigdalite, febre e dor de garganta. Em seguida, passou a exibir alguns sintomas neurológicos, uma rigidez dupla, com sinais de irritação que são similares a uma meningite. Então, ela foi transferida para Fortaleza, para o Hospital de Referência Infantil Albert Sabin, mas, infelizmente, foi a óbito. A família permitiu a realização da necropsia pelo nosso Serviço de Verificação de Óbito de Fortaleza e, após a necropsia, foi identificada na lâmina o que seria um germe muito similar a uma ameba, que tem um padrão completamente diferente de todas as outra”, explicou o secretário Antônio Lima. 

Confira a entrevista completa:

Segundo o especialista, a bactéria entra no corpo humano através das narinas, sendo transmitida para o sistema nervoso central. A doença, geralmente, acomete pessoas que nadam em rios, lagos ou açudes, locais com temperatura mais elevada. Como essa possibilidade foi descartada pelos familiares, a principal suspeita é que a criança tenha contraído a Naegleria fowleri durante o contato com o líquido, em alta temperatura, da caixa d’água da residência da criança. 

“A gente procedeu com a investigação indo até a localidade e, principalmente, conversando com a família e com a comunidade, explicando o que poderia ter ocorrido, que seria uma criança que, provavelmente, contraiu no banho, porque você puxa a água da lagoa ou do açude. Essa água em um reservatório ou em uma cisterna tem uma temperatura mais adequada para a reprodução da ameba e, infelizmente, no momento no banho da criança, ela deve ter penetrado”, disse o secretário de Vigilância de Saúde. 

Além da necropsia, foram realizadas coletas de água nos reservatórios próximos e enviados ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, em que foi comprovada a presença da ameba na água, assim como fragmentos de mostra biológica do bebê. O caso já foi apresentado oficialmente ao Ministério da Saúde, que deve confirmar a ocorrência em Caucaia em breve. 

MEDIDAS TOMADAS

Conforme o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, foi realizado um aperfeiçoamento da filtração da coloração da água. O local em que a ameba foi encontrada também está sendo monitorado pela equipe da Secretaria ao longo deste ano, com amostras que já indicam a negativação da bactéria na água após as intervenções. Apesar da alta taxa de letalidade, a doença não se transmite de pessoa para pessoa, além de não ser altamente contagiosa em locais onde está presente. Não existe uma cura comprovada para a infecção, e os tratamentos utilizados, ainda não apresentam muita eficácia.

O recomendado é evitar mergulhos em água que possam estar contaminadas, especialmente em locais conhecidos por abrigar a ameba.