Visando realizar um tratamento mais eficaz e com menos danos colaterais, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) idealizaram o uso de nanopartículas para tratar o câncer de próstata, uma das doenças que mais mata no Brasil e no mundo. A utilização de nanopartículas para tratar esse tipo de tumor vem sendo investigada por diferentes pesquisadores da UFC, e dois desses inovadores estudos acabaram de garantir as cartas-patentes e avançam em busca de uma futura aplicação em seres humanos.
Um milhão de vezes menores que um botão de camisa, essas partículas se apresentam como promessa de um tratamento mais seguro e eficaz para a doença em estágio mais avançado. Em um dos estudos, os pesquisadores desenvolveram lipossomas, pequenas bolsas de gordura biodegradáveis, invisíveis a olho nu e que podem encapsular substâncias.
Na novidade trazida pelos cientistas, os lipossomas encapsulam um fármaco anticâncer chamado de cabazitaxel. Além disso, na superfície desses lipossomas, anticorpo chamado cetuximabe está ligado no encaminhamento fármaco para o local do tumor, onde este será liberado. Dessa forma, o anticorpo levaria o lipossoma que carrega o medicamento diretamente para células doentes. Lá, o lipossoma libera o fármaco de forma mais inteligente, fazendo com que tecidos sadios recebam menor quantidade desse químico.

A segunda invenção utiliza duas substâncias de origem natural no combate ao câncer de próstata. A primeira substância é o ácido betulínico, originado do metabolismo de várias espécies vegetais. Diversos estudos já identificaram que o ácido possui efeitos antitumorais significativos, mas a substância tem baixa solubilidade, restringindo a sua aplicação e impede sua utilização como medicamento anticâncer.
Para solucionar a problemática da baixa solubilidade, os pesquisadores decidiram encapsular o ácido betulínico em uma nanoemulsão que usa o óleo da Calotropis procera, planta utilizada na medicina tradicional de várias culturas e facilmente encontrada no semiárido nordestino, conhecida popularmente como “bombardeira”.
“Considerando o potencial anticâncer e anti-inflamatório dessa planta, decidiu-se investigar a associação de seu óleo fixo com outras substâncias conhecidamente citotóxicas [isto é, que possuem a capacidade de destruir outras células ou tecidos], visando o desenvolvimento de alternativas terapêuticas mais seguras e eficazes para o combate do câncer”, explica Nágila Ricardo, professora do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica e uma das autoras do invento.
A aplicação da nanotecnologia no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer vem sendo estudada por pesquisadores da UFC pela capacidade única que a ferramenta tem de manipular materiais em uma escala microscópica, permitindo a criação de terapias mais precisas, eficazes e personalizadas.
