A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a Operação “Apostas Encerradas”. A ação, em conjunto com a Receita Federal, busca desarticular uma organização criminosa responsável por esquema de lavagem de dinheiro proveniente de jogos de azar no estado do Ceará, e é um desdobramento da Operação “Primma Migratio”, deflagrada em abril deste ano. No momento, estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Ceará.
Conforme as investigações, o grupo criminoso utilizava pessoas para ocultar e movimentar recursos obtidos ilegalmente. As transações financeiras suspeitas chegaram a mais de R$ 300 milhões. A análise fiscal revelou uma discrepância significativa entre os rendimentos declarados pelos investigados e suas movimentações financeiras, alcançando mais de R$ 40 milhões em valores suspeitos. Parte dos recursos foi utilizada na aquisição de imóveis de alto padrão, incluindo uma cobertura em área nobre de Fortaleza e veículos de luxo, com intuito de ocultar a origem dos valores.
Além das prisões, foi decretado o sequestro de sete imóveis e um veículo de alto padrão, além do bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados, totalizando o montante identificado como suspeito.
“As medidas têm o objetivo de ampliar a coleta de provas e garantir a responsabilização dos envolvidos, além de assegurar a eficácia da persecução penal”, destacou o órgão.
De acordo ainda com a FICCO, a organização criminosa investigada também tem envolvimento em diversas práticas ilícitas, como a exploração do “jogo do bicho” e apostas clandestinas, além de utilizarem dos recursos obtidos para financiar outras atividades ilegais, incluindo possivelmente a corrupção de agentes públicos.
OPERAÇÃO PRIMMA MIGRATIO
Ainda em abril de 2024, a Força Integrada do Ceará, em ação conjunta com as FICCOs de São Paulo e Santa Catarina, deflagrou a Operação Primma Migratio, visando desarticular um núcleo gerencial e logístico de organização criminosa paulista que operava atividades ilegais no estado do Ceará. Após dois anos de investigação, foram coletadas evidências de que o grupo migrou parte de sua estrutura gerencial do estado de São Paulo para implantar no Ceará rentáveis atividades clandestinas, como o tráfico de drogas e armas, a exploração de jogos de azar, como o “Jogo do Bicho”, além da lavagem de dinheiro nas atividades ilícitas.
Na época foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva, 36 mandados de busca e apreensão em endereços no Ceará, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, além do sequestro de 42 veículos atribuídos aos investigados.
FICCO
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará – Ficco– é composta pela Polícia Federal (PF), Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), Polícia Militar do Ceará (PMCE), Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP).
