Na próxima terça-feira (10), data que marca o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Universidade Federal do Ceará (UFC) realiza, a partir das 17h, o lançamento do evento Sementes de Lutas, que envolve seminário, exposição e outras atividades, com a presença do Movimento Estudantil. O momento marca a inauguração do Espaço Cultural Bergson Gurjão Farias. A programação integra as comemorações dos 70 anos da instituição e segue até 13 de dezembro. Todas as atividades têm acesso gratuito e são abertas ao público, na Reitoria, no auditório Antônio Martins Filho, Jardins da Reitoria e no Espaço Cultural Bergson Gurjão Farias.
A programação acadêmica e cultural contará com a participação de nomes como a deputada federal Luizianne Lins (PT); o músico e arquiteto Fausto Nilo; a atriz, bailarina, diretora e produtora Ecila Meneses; a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela (PSB); o governador do Estado do Ceará, Elmano de Freitas (PT); o ministro da Educação, Camilo Santana (PT); e o senador Cid Gomes (PSB).
Outros destaques são os lançamentos dos livros “Tempos de nunca-mais’: as graves violações dos direitos humanos nas universidades públicas do Ceará – 1964-1985”, de César Barreira, além de “José Genoíno, uma vida entrevista”, de Salvio Kotter e Nicodemos Sena.
O seminário foi desenvolvido por uma comissão especial, criada pelo reitor Custódio Almeida com o objetivo de organizar a memória do movimento estudantil, como parte das comemorações dos 70 anos da UFC, com reflexões sobre a importância, a história, a memória e os impactos do movimento estudantil em diferentes esferas da sociedade, como ciência, cultura e política.
“Esse seminário é para que todos percebam que o movimento estudantil faz parte da Universidade, faz parte da formação que se recebe aqui. É um movimento plural, de aprendizagem e engajamento político, e do qual muitos egressos da UFC participaram, passando a perceber melhor a sociedade e seus lugares de intervenção”, pontua o reitor.
EXPOSIÇÃO
A primeira atividade a ser realizada no novo Espaço Cultural Bergson Gurjão serão a exposição “Sementes de luta: aqui está presente o movimento estudantil!”, que busca resgatar e contar as histórias da atuação da militância estudantil na UFC, desde a origem da instituição. A mostra apresenta a contribuição do movimento estudantil sobretudo para a promoção dos direitos sociais, a ampliação do acesso aos serviços públicos e a formação de profissionais comprometidos.
Para a construção da cronologia histórica dos últimos 70 anos, a comissão partiu de pesquisas realizadas em livros, artigos, teses, dissertações, matérias de jornais e outras publicações, além de fotos, vídeos, documentos e objetos coletados em diferentes fontes, entre arquivos oficiais e ex-estudantes militantes. O material também serviu para a recriação de ambientes relacionados à história do movimento estudantil no Ceará, a partir de fotografias encontradas durante as pesquisas
“Também levamos as carteiras de sala de aula usadas em manifestações na avenida da Universidade. Nós reproduzimos, ainda, um ambiente com máquina de escrever, com escrivaninhas da década de 1960, tentando trazer uma referência desse momento, que foi tão difícil, da repressão da Ditadura Militar”, explica a jornalista e produtora cultural Dora Freitas, integrante da equipe.
Entre os objetos constam faixas de rua, bandeiras, megafones, carteiras de estudantes e até uma urna em que foram feitas várias eleições das diretorias do DCE. “Conseguimos coletar muitos documentos. Alguns vieram do NUDOC/UFC (Núcleo de Documentação e Laboratório de Pesquisa Histórica do Departamento de História da UFC), outros foram consultados na Biblioteca Pública ou enviados por pessoas. Teremos também projeções de fotografias de várias décadas e de filmes que abordam a temática”, adiantou Dora.
HOMENAGEM
Aprovado pelo Conselho Universitário (CONSUNI) em 18 de novembro, o nome Espaço Cultural Bergson Gurjão Farias é uma homenagem póstuma ao ex-estudante da UFC perseguido e morto pela Ditadura Militar brasileira. O espaço nasce a partir de contrapartida de estudantes, após a UFC declarar que o nome da Reitoria seria mudado para o de Bergson, porém, pouco tempo depois, revogou a decisão, que ainda é motivo de revolta entre estudantes.
Bergson Gurjão era aluno do curso de Química da UFC de 1967 a 1969, quando foi expulso por ordem da Ditadura, por sua atuação no movimento estudantil da época. Em 1972, ele acabou sendo morto violentamente por militares na região do Araguaia, quando começou a lutar clandestinamente contra o regime. Os restos mortais de Bergson só foram entregues à família e velados no ano de 2009.
Antes do descerramento da placa, haverá a leitura e a entrega do Termo de Reconciliação Histórica a ex-militantes do movimento estudantil na UFC que foram perseguidos de alguma forma pela Ditadura Militar, com processos, impedimentos de matrícula, suspensões, prisões, torturas, assassinato e desaparecimento. Conforme termo assinado pela CONSUNI em 1º de novembro de 2024, apenas na UFC, foram dezenas de estudantes punidos em inquéritos, processos e julgamentos, que muitas vezes ocorreram de forma sumária e à revelia.
DEBATES
Entre os dias 11 e 13, acontece o ciclo de debates do seminário, com mesa de abertura no primeiro dia, com participação do reitor da UFC, Custódio Almeida; do pró-reitor de Assistência Estudantil da UFC, Bruno Rocha; e das estudantes Marina Lopes e Dandahra Cavalcante, da diretoria do Diretório Central dos Estudantes da UFC. Logo depois, tem início a segunda mesa, “Crise climática e seus desafios.
O ciclo de debates continua com duas mesas na quinta (12), sobre cultura e direito à cidade e sobre estratégias para o desenvolvimento do Ceará; e três mesas na sexta-feira (13), sobre a luta pela democracia no Brasil e sobre o movimento estudantil. A mesa de encerramento terá participação do reitor da UFC, Custódio Almeida; do governador Elmano de Freitas; do ministro Camilo Santana; e do senador Cid Gomes, todos ex-lideranças estudantis no Ceará.
A programação completa está disponível no site oficial da Universidade Federal
