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Presidente da Coreia do Sul deve sofrer Impeachment pelo Parlamento após declarar Lei Marcial

O anúncio surpresa de Lei Marcial causou um impasse com o parlamento, que imediatamente rejeitou a tentativa de Yoon. Foto: Reuters

Após declaração de Lei Marcial, na noite da última terça-feira (3), pelo presidente da Coreia do Sul Yoon Suk Yeo, parlamentares sul-coreanos apresentaram um projeto de lei nesta quarta-feira (4) para destituir o chefe de Estado. Frente à decisão, a sigla de oposição, o Partido Democrático (PD) ao lado de outros partidos, pediu que Yoon renuncie ou enfrentará um impeachment. O chefe do Executivo do país está no cargo desde 2022.

O anúncio surpresa de Lei Marcial causou um impasse com o parlamento, que imediatamente rejeitou a tentativa de Yoon de proibir atividades políticas e censurar a mídia, enquanto tropas armadas forçavam a entrada no prédio da Assembleia Nacional em Seul. Mais tarde, seis outros partidos de oposição também apresentaram um projeto de lei no parlamento para desapossar Yoon, com votação marcada para sexta-feira (6) ou sábado (7).

“Não podíamos ignorar a lei marcial ilegal. Não podemos mais deixar a democracia entrar em colapso”, declarou o parlamentar Kim Yong-min (DP) à imprensa. 

Dentro do próprio partido de Yoon, o Partido do Poder Popular (PPP), o líder Han Dong-hoon pediu que o Ministro da Defesa Kim Yong-hyun fosse demitido e que todo o gabinete também renunciasse. Conforme o Ministério da Defesa, Kim se ofereceu para renunciar. Dong-hoon afirmou que os representantes do PPP estão discutindo se Yoon deve deixar o partido, mas não chegou a dizer se Yoon deveria renunciar à presidência. O partido investiga todas as circunstâncias, segundo o parlamentar. Conforme afirmou Han, as seis horas de Lei Marcial “quase paralisaram a nação” e que o partido “respeita e respeita o espírito da constituição”.

Já o primeiro-ministro Han Duck-soo destacou que todas as forças de governo garantirão estabilidade no país. 

“Eu entendo completamente a grande ansiedade que vocês devem estar sentindo. A partir deste momento, o Gabinete se dedicará, ao lado de autoridades públicas de todos os ministérios, a garantir a estabilidade da nação e a continuidade ininterrupta de suas vidas diárias”, reiterou Duck-soo. 

LEI MARCIAL

Em discurso televisionado, na noite da última terça-feira (3), conforme o horário do país, Yoon disse à nação que a implementação da Lei Marcial era necessária para defender o país das forças anti estatais pró-Coreia do Norte e proteger a ordem constitucional livre, embora não tenha citado ameaças específicas. Além disso, os militares anunciaram que as atividades do parlamento e dos partidos políticos seriam proibidas, e que a mídia e as editoras estariam sob o controle do comando do regime declarado. 

Após o anúncio, tropas tentaram tomar o controle do prédio do parlamento, mas recuaram depois da reação de assessores parlamentares. Do lado de fora, manifestantes entraram em conflito com policiais. Poucas horas após a declaração, o parlamento da Coreia do Sul, com 190 do total de 300 membros presentes, dentre eles 18 do partido do presidente, aprovou por unanimidade uma moção parlamentar para a revogação da lei marcial. Yoon então revogou a declaração apenas seis horas após sua proclamação.

É a primeira vez, desde 1980, que a lei marcial foi declarada na Coreia do Sul, que já passou décadas sob regime militar autoritário. O país desde então vive sob regime democrático, sendo a 10ª maior economia do mundo. Informações de:  e