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Advogado de Bolsonaro assegura que ex-presidente seria traído por militares golpistas

Bolsonaro (PL-RJ), por meios dos advogados, afirma que não controla publicações feitas por outras pessoas e solicitou que o ministro esclareça se a ordem judicial também impede a concessão de entrevistas. Foto: Natinho Rodrigues/ Arquivo/ Opinião CE

Durante entrevista dada ao programa Estúdio i, da Globo News, na sexta-feira (29 de novembro), o advogado criminalista Paulo Cunha Bueno, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), garantiu que o cliente seria traído pelos militares de alta patente que planejaram um Golpe de Estado no Brasil, no final de 2022. Ele avalia que o inquérito da Polícia Federal mostra que os oficiais seriam os únicos beneficiados com a formação de uma junta militar e o ex-presidente estaria fora desse grupo.

“Quem seria o grande beneficiado? Segundo o plano do general Mario Fernandes, seria uma junta que seria criada após a ação do Plano Punhal Verde e Amarelo. Nessa junta não estava incluído o presidente Bolsonaro. Não tem o nome dele lá, ele não seria beneficiado disso. Não é uma elucubração da minha parte. Isso está textualizado ali. Quem iria assumir o governo em dando certo esse plano terrível, que nem na Venezuela chegaria a acontecer, não seria o Bolsonaro, seria aquele grupo”, ressaltou Paulo Cunha Bueno.

Indagado se Bolsonaro, sabedor de que estava sendo articulado um plano de Golpe de Estado, não deveria ter denunciado o grupo, principalmente porque não iria aderir à trama, Paulo Cunha Bueno afirmou que isso não era necessário. “É crível que as pessoas o abordassem com todo tipo de proposta. É fato que ele [Bolsonaro] não aderiu. Não era obrigação dele denunciar”, frisou.

O advogado assegurou ainda que Bolsonaro não sabia da existência do plano para assassinar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice eleito Geraldo Alckmin (PSB) e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. “Ele [Bolsonaro] não sabia disso. Esse Punhal Verde e Amarelo nunca chegou ao conhecimento dele“, afirmou.

POSSIBILIDADE DE PRISÃO

Paulo Cunha Bueno descarta a possibilidade de o ex-presidente ter a prisão preventiva decretada. Por esse motivo, o defensor de Jair Bolsonaro não montou uma estratégia de defesa considerando essa hipótese. O advogado também questionou a competência do ministro Alexandre de Moraes, alegando que o relator dos processos é inimigo de Bolsonaro.

“Não faria sentido que houvesse algum tipo de prisão. O que eu espero, em primeiro lugar, é que meu cliente seja julgado pela corte competente, por juízes imparciais e não por desafetos pessoais. Isso é o mínimo que alguém acusado, eventualmente, tem o direito de ter”, sutentou.

Apesar de o jornalista Otávio Guedes ter mostrado que essa inimizade foi provocada por Bolsonaro e que era muito fácil um réu atacar um magistrado para poder alegar impedimento por motivos pessoais e, dessa forma, não ser julgado, Paulo Cunha Bueno manteve a tese de que Moraes é incompetente para o julgar o ex-presidente da República.