A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) recebeu, na última segunda-feira (25), os novos Agentes Indígenas de Cultivo (AIC), bolsistas que participarão do projeto “Interculturalidade e Farmácias Vivas no SUS Ceará”. Foram selecionados oito agentes de quatro territórios e cinco etnias de povos indígenas do Estado, que vão atuar nas Coordenadorias da Rede Sesa, como a de Políticas de Assistência Farmacêutica e Tecnologias em Saúde (Copaf), de Atenção Primária à Saúde (Coaps) e de Políticas de Saúde Mental (Copom).
Entre as atividades previstas está o cultivo, coleta, processamento e armazenamento de plantas medicinais nas comunidades. Celebrando a primeira equipe indígena da Sesa, a cerimônia de recepção dos agentes teve o canto do tradicional Toré, ritual sagrado e manifestação cultural de diversas etnias indígenas do Nordeste brasileiro.
“É o momento em que a gente está articulando vários saberes: o saber científico e o saber cultural da ancestralidade da população indígena que trabalha junto à natureza. É uma recuperação de uma articulação e a busca de uma interlocução importante nesses dias de necessidades de mudanças climáticas e repensar como o homem está cuidando da natureza”, disse a secretária-executiva da Atenção Primária e Política de Saúde da Sesa, Valdelice Mota.
Conforme a coordenadora da Copaf, Fernanda Cabral, o objetivo do projeto é sensibilizar diversos setores da sociedade “para que o projeto se configure enquanto estratégia da retomada do cuidado fitoterápico no estado. Ele vai contribuir para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde Cearense pelas vias da mãe natureza, da ancestralidade dos povos indígenas e da ciência”.
O objetivo do projeto é promover a continuidade do acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, incorporando a ancestralidade, a territorialidade e os conhecimentos originários indígenas. A iniciativa é resultado da parceria entre Sesa e as secretarias dos Povos Indígenas (Sepince), de Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará; do Conselho Estadual de Saúde (Cesau-CE); do Distrito Sanitário Indígena do Ceará (Dsei/CE); da Universidade Federal do Ceará (UFC); e de outras entidades ligadas ao movimento indígena.
