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Documento apreendido na sede do PL apresenta trecho “Lula não sobe a rampa” como parte do plano de golpe

Com a investigação sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022 em curso, a Polícia Federal (PF) apreendeu um documento manuscrito na sede do Partido Liberal (PL) que propõe ações para interromper o processo de transição de governo e a posse de Lula (PT). “Lula não sobe a rampa” é o trecho que encerra o documento. Conforme a PF, é uma alusão direta ao impedimento do então presidente eleito de assumir a Presidência da República em 1° de janeiro de 2023.

A informação faz parte do relatório da PF que indicia 37 acusados pelas ações golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-ministro da Casa Civil e de Defesa, general Walter Braga Netto. O sigilo foi derrubado na última terça-feira (26) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do chamado Inquérito do Golpe.

O material foi apreendido na mesa do assessor de Braga Netto, o coronel Peregrino, e faz um esboço de planos para a denominada “Operação 142”. O nome dado ao documento é uma referência ao artigo 142 da Constituição Federal, que trata das Forças Armadas. Para a PF, as ações planejadas eram um dos meios pelos quais os mais de 30 investigados implementariam a possível ruptura institucional, logo após a derrota eleitoral do então presidente Bolsonaro.

A informação faz parte do relatório da PF que indicia 37 acusados pelas ações golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Policia Federal

Com base nas investigações, siglas e jargões próprios do militarismo como “CG Pol” (Centro de Gravidade Político), com a descrição de medidas autoritárias, demonstram as intenções dos investigados na execução do golpe de Estado que manteria o antigo governo, do então presidente Jair Bolsonaro no poder”. Outros termos como “Anulação das eleições”, “Prorrogação dos mandatos”, “Substituição de todo TSE” e “Preparação de novas eleições” também foram encontrados no documento apreendido na sede do PL.

ACUSADOS

Na última quinta-feira (21), o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros ex-integrantes do antigo governo foram indiciados pela Polícia Federal pela tentativa de Golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Foram indiciadas 37 pessoas. Com mais de 800 páginas, o relatório final do inquérito foi concluído e entregue ao Supremo Tribunal Federal.

“Os elementos de prova obtidos ao longo da investigação demonstram, de forma inequívoca, que o então presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios realizados pela organização criminosa que objetivava a concretização de um golpe de estado e da abolição do estado democrático de Direito, fato que não se consumou em razão de circunstâncias alheias à sua vontade”, diz o relatório da PF

Além do ex-chefe de Estado, foram indiciados pelos crimes o general da reserva do Exército Walter Braga Netto, ex-candidato a Vice-Presidência pela chapa de Bolsonaro nas eleições presidenciais, o general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o policial federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin), e Valdemar da Costa Neto, atual presidente do PL. O general cearense Estevam Theophilo, que fez parte do Alto Comando do Exército no governo Lula até novembro de 2023, também está entre os indiciados.

Leia também: Bolsonaro e outras 36 pessoas são indiciadas pela PF por tentativa de Golpe de Estado

ATENTADOS

A Polícia Federal apontou que narrativas golpistas disseminadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro resultaram não só na tentativa do Golpe de 8 de Janeiro, mas no recente atentado no Supremo Tribunal Federal. Conforme os investigadores, a difusão de “forma rápida e repetitiva” dos discursos estimularam as ações extremistas e o apoio a tentativa de golpe.

“Esse método de ataques sistemáticos aos valores mais caros do Estado democrático de direito criou o ambiente propício para o florescimento de um radicalismo que, conforme exposto, culminou nos atos do dia 8 de janeiro de 2023, mas que ainda se encontra em estado de latência em parcela da sociedade, exemplificado no atentado bomba ocorrido na data de 13 de novembro de 2024 na cidade de Brasília”, afirma a PF.

Além do atentado do dia 13 deste mês e os atos de 8 de janeiro, a PF citou também a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal, ocorrida em Brasília, no dia 12 de dezembro de 2022 e a tentativa de explosão de um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília no dia 24 de dezembro do mesmo ano. O golpe não foi aplicado pela falta de adesão do Exército e da Aeronáutica.

Com informações da Agência Brasil.