Importante no cenário internacional no processo de transição energética, o Ceará deve ser responsável por 25% das importações de hidrogênio verde do Porto de Roterdã, na Holanda, maior porto marítimo da Europa e principal parceiro do Estado. A informação foi confirmada ao OPINIÃO CE pela secretária de relações internacionais do Ceará, Roseane Medeiros. Com pelo menos seis pré-contratos assinados entre o Ceará e empresas internacionais, a secretária também analisa as políticas do governo que estão sendo realizadas para garantir e estruturar a indústria dessa energia no Estado.
Entre as empresas parceiras na produção de hidrogênio verde no Ceará estão a Fortescue, Voltalia, FRV, Fuella, AES e a Cactus.
“O [Porto do] Pecém está, cada vez mais, se preparando para receber essas empresas, não só porque já firmou esses pré-contratos, mas porque entende a importância, tanto para a sociedade cearense como para o parceiro internacional, no caso do Porto de Roterdã. Eles têm, já planejado, que 25% do hidrogênio verde importado será do Ceará. Será uma grande oportunidade”, destacou a secretária de relações internacionais, Rosiane Medeiros, em entrevista nos estúdios do OPINIÃO CE.
Sobre previsão de quando será iniciada a produção de hidrogênio verde no Ceará, Rosiane afirma que não deve ocorrer antes de 2030. Segundo ela, “havia a perspectiva de começar a produção em 2026″, o que não deve se concretizar. Segundo ela, o processo está atrasando devido a diversos acontecimentos mundiais, como a pandemia de covid-19, a guerra da Rússia e Ucrânia, e os conflitos dos países do Oriente Média. A geopolítica é modificada a partir desses eventos. A secretária ainda comentou sobre o receio de alguns investidores a partir da mudança da presidência americana em 2025, quando Donald Trump assume como presidente dos Estados Unidos.
POLÍTICAS DE CONTINUIDADE
A secretária destaca que “toda transição é demorada e complexa”, pois é necessário planejar questões como o financiamento e o incentivo para uma indústria, além do estudo sobre a área e infraestrutura do porto. A titular das relações internacionais aponta a importância que as “políticas de continuidade” voltadas para o estabelecimento do empreendimento no Estado têm. As principais áreas citadas, notáveis no cenário internacional, são educação, turismo e as políticas para o fomento das energias renováveis. Entre as ações do governador Elmano de Freitas (PT), a titular destaca os cursos ofertados, que estruturam essa nova economia.
Ela também cita a importância de existir a educação ambiental no processo de transição energética, desenvolvendo estratégias para o controle do impacto ambiental e promoção de uma educação para o consumo dessa energia.
Para atrair a cadeia produtiva do hidrogênio verde, o Ceará recebe, nos dias 28 e 29 de novembro, o World Summit on Energy Transition (WSoET), a Cúpula Mundial sobre Transição Energética, que busca discutir questões ligadas a transição energética, reunindo representantes de mais de 22 países. Na ocasião, a secretária Roseane participará como mediadora do painel que deverá abordar as regulamentações e legislações sobre a produção do hidrogênio verde em diferentes países.
