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“O Ceará está muito perto de acabar com a fome”: Estado vira referência para atingir meta nacional

Lia de Freitas preside o Comitê Intersetorial de Governança do Ceará Sem Fome. Foto: Hellynara Fernandes/OPINIÃO CE

Ao ser eleito governador do Estado de forma surpreendente, ainda no primeiro turno nas eleições de 2022, o governador Elmano de Freitas (PT) definiu o combate à fome como sua principal bandeira. Após dois anos de seu primeiro governo, o Estado consolida uma política de segurança alimentar, que ganhou braços para além do “garantir as refeições básicas que um ser humano precisa para sobreviver”. O Ceará Sem Fome soma, hoje, 1.300 cozinhas comunitárias, que fornecem mais de 125 mil refeições por dia – chegando a 29 milhões desde o lançamento do programa, em 4 de setembro de 2023.

Além disso, o programa atua nos eixos saúde e nutrição; agricultura familiar; economia local e assistência social. A ação, encabeçada no Estado pela primeira-dama e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do Ceará Sem Fome, Lia de Freitas, objetiva acabar com uma das principais mazelas que ainda assolam a sociedade cearense, brasileira e mundial, mesmo em pleno século XXI. “O Ceará está muito perto de acabar com a fome”, diz Lia, enfática ao ser questionada sobre as condições que o Estado tem para zerar a fome até o fim do atual governo. A primeira-dama concedeu entrevista exclusiva ao OPINIÃO CE e revelou os desafios ainda persistentes, além das políticas criadas de forma conjunta para avançar nessa temática.

Lia faz referência à declaração do presidente Lula (PT) de 16 de novembro, durante o Festival Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, no Rio de Janeiro. Em fala acalorada, o petista prometeu, até o fim do mandato, que nenhum brasileiro passaria mais fome no País. “Quero dizer para os milhões de habitantes que passam fome no mundo e para as crianças que não sabem se vai ter alimento, que hoje não tem, mas amanhã vai ter. É preciso coragem para mudar essa história perversa”, disse o presidente.

POLÍTICA INTEGRADA

A primeira-dama no Ceará, estado que serve como referência para a construção de políticas de combate à fome, com um modelo de edital replicado pelo Governo Federal para credenciamento de unidades gerenciadores do Programa Cozinha Solidária, por exemplo, aposta na parceria entre as diferentes instâncias da República para se chegar aos melhores resultados. “A determinação do nosso governador é que todas as nossas políticas sejam integradas”, aponta, citando o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), que fornece dados para balizar as melhores decisões. “O Ipece tem um papel fundamental nisso. É a partir dos dados fornecidos que formulamos uma política pública de modo eficiente”, aponta.

O Ceará Sem Fome também aposta no conjunto de ações para capacitar os beneficiários e ajudá-los a entrar no mercado de trabalho. O objetivo é garantir uma autonomia financeira e a superação da situação de insegurança alimentar e nutricional das famílias, que são o público-alvo do programa. Isso é feito pelo +Qualificação e Renda. São atendidos os beneficiários do Ceará Sem Fome, cozinheiras e cozinheiras voluntários das cozinhas do Programa, acima de 16 anos. “A gente quer que, pelo menos, um membro da família atendida pelo programa tenha uma formação. Fazemos isso porque sabemos que a fome só vai ser vencida com empregos e qualificação. Uma pessoa é capaz de mudar a vida de toda a família”, defende a primeira-dama.

Lia também aponta como a ação perpassa outras áreas da vida das famílias atendidas. “É bonito ver pessoas se empoderando nas cozinhas solidárias, ver uma mulher que antes era vista como a ‘bebinha’ daquele local e que agora ajuda a alimentar centenas de pessoas diariamente”, celebra Lia. “Também temos um cuidado muito especial com a saúde mental das pessoas. Principalmente, depois da pandemia de covid-19, quando saímos muito adoecidos mentalmente. As próprias unidades gestoras das cozinhas têm um papel importante no acompanhamento dessas pessoas“, finaliza a primeira-dama.