A saúde pública será o principal desafio da gestão do prefeito eleito, Evandro Leitão (PT). A avaliação é de uma de suas aliadas, a vereadora (reeleita) Professora Adriana Almeida (PT). Durante participação no podcast Questão de Opinião, do jornal OPINIÃO CE, a parlamentar explicou que a saúde no Município enfrenta uma situação grave de sucateamento e precarização, traduzida com exatidão pela crise enfrentada pelo Instituto Doutor José Frota (IJF).
No começo do mês, o Ministério Público do Ceará (MPCE) entrou com uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Prefeitura de Fortaleza devido à falta de medicamentos no Instituto José Frota. No documento, são réus o prefeito José Sarto (PDT), o secretário de Saúde, Galeno Taumaturgo, e o presidente do IJF, José Maria Sampaio Menezes Neto. Na ação, que tem como base um relatório do Sindicato dos Médicos do Ceará, os promotores do Ministério Público pedem a “solução urgente” ou o pagamento de multa diária até a aquisição de medicamentos e os materiais necessários.
Caso não haja a solução, o MP solicita multa diária para Sarto, Galeno e José Maria. O valor, no entanto, está incerto, já que o documento cita R$ 5 mil em numeral e “quinze mil” em ordinal. A ação pede ainda para que, no cenário com a continuação do problema, no prazo de 10 dias, valor correspondente a R$ 19,1 milhões seja bloqueado dos cofres da Prefeitura. A quantia seria o necessário para o abastecimento dos medicamentos e dos insumos médicos por 90 dias.
Segundo Adriana Almeida, a situação já vinha sendo denunciada por parlamentares de oposição e entidades há meses. “Não é de hoje e o problema vai se arrastar para a próxima gestão resolver”, criticou.
FISCALIZAÇÃO
Opositora da atual gestão, de José Sarto (PDT), a parlamentar, ao lado de outros companheiros de Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), visitou vários equipamentos de saúde, onde constatou várias falhas de logística, entretanto a situação no IJF foi a mais preocupante, o que fez que com que ela acionasse o Ministério Público para investigar as irregularidades denunciadas pelos profissionais do maior hospital de trauma do Estado.
Adriana Almeida e outros vereadores foram chamados por profissionais da saúde do Município e eles puderam ver in loco os problemas sérios que afetam os serviços no IJF. A vereadora informou que faltam insumos básicos, como toucas, luvas, seringas e drenos, o que resultou na suspensão cirurgias, até que esse material fosse enviado de outras unidades de saúde.
“O prefeito [Sarto] precisa dar uma posição, não só para o Tribunal de Justiça, para o Ministério Público, mas para a população sobre o que está fazendo para a saúde no nosso Município. A gente está falando de vidas, não só de uma pessoa que não recebeu um medicamento, mas de alguém que não fez uma cirurgia porque faltou um dreno”, ressalta a vereadora.
POSTOS DE SAÚDE
A parlamentar relatou ainda que os problemas de logística e estruturais também afetam os postos de saúde, sendo que a população dos bairros periféricos é a que mais sofre com falta de medicamentos, de insumos básicos, de médicos, de enfermeiras, de enfermeiros e de técnicas e técnicos de Enfermagem.
Uma das unidades citadas pela vereadora foi a do posto de saúde do bairro Granja Lisboa, que foi recentemente inaugurado, mas não funciona porque faltam profissionais, medicamentos e insumos. Adriana Almeida salienta que nos equipamentos onde se registram grandes filas é consequência da falta de profissionais.
Devido à situação, o fortalezense se dirige ao posto de saúde ainda durante a madrugada, mas, geralmente, volta para casa sem atendimento por falta de médicos no equipamento. “Eu não tenho dúvidas que vai ser um dos grandes desafios, essa questão da saúde, para a gestão de Evandro Leitão”, avaliou Adriana Almeida.
