O indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 36 pessoas, acusadas pela Polícia Federal (PF) de terem planejado e executado ações para um golpe de estado, está repercutindo entre políticos e autoridades. Um dos primeiros a se manifestar foi o advogado-geral da União, Jorge Messias, que exaltou o combate a tentativas de violar o regime democrático.
“A notícia de indiciamentos pela PF do ex-mandatário e de integrantes do núcleo de seu governo pela prática dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de estado e organização criminosa, oferece ao País a possibilidade de concretizar uma reação eficaz aos ataques à nossa democracia, conquista valiosa e indelével do povo brasileiro”, disse Jorge Messias.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta, não escondeu a indignação com o resultado das investigações dos policiais federais.
“A gente vê com absoluta perplexidade e indignação as informações que foram relevadas pelo inquérito, onde a gente encontra o próprio ex-presidente da República no topo da cadeia de comando da organização criminosa, generais, coronéis, servidores públicos do governo federal que faziam parte do núcleo da campanha e do governo Bolsonaro. Tramando contra a democracia com uma audácia quase que inacreditável, sem qualquer tipo de limite, ao ponto de tramarem contra a própria vida do presidente Lula, do vice-presidente Alckmin e do [ex] presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes. São crimes muito graves, são acusações muito sérias”, afirmou Paulo Pimenta.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado Federal, ex-ministro e aliado próximo de Jair Bolsonaro, atribuiu os indiciamentos a narrativas construídas nos últimos anos. Ele ainda pediu que a Procuradoria Geral da República (PGR) analise com cautela o inquérito da Polícia Federal.
“Diante de todas as narrativas construídas ao longo dos últimos anos, o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro, do presidente Valdemar Costa Neto e de outras 35 pessoas, comunicado na presente data pela Polícia Federa, não só era esperado como representa sequência a processo de incessante perseguição política ao espectro político que representam. Espera-se que a Procuradoria-Geral da República, ao ser acionada pelo Supremo Tribunal Federal, possa cumprir com serenidade, independência e imparcialidade sua missão institucional, debruçando-se efetivamente sobre provas concretas e afastando-se definitivamente de meras ilações”, afirmou o parlamentar de extrema-direita.
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu pena de prisão para os acusados. A petista usou as redes sociais para comentar o indiciamento do ex-presidente e das outras 37 pessoas.
“O indiciamento de Jair Bolsonaro e sua quadrilha, instalada no Planalto, abre o caminho para que todos venham a pagar na Justiça pelos crimes que cometeram contra o Brasil e a democracia. Tentar fraudar eleições, assassinar autoridades e instalar uma ditadura. Prisão é o que merecem! Sem anistia!”, postou a deputada do PT do Paraná.
Após o indiciamento, o ex-presidente Jair Bolsonaro publicou na conta pessoal na rede social X trechos da entrevista ao portal de notícias Metrópoles, na qual ele critica o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do caso, e informa que irá esperar o advogado dele para avaliar os próximos passos.
“Tem que ver o que tem nesse indiciamento da PF. Vou esperar o advogado. Isso, obviamente, vai para a Procuradoria-Geral da República. É na PGR que começa a luta. Não posso esperar nada de uma equipe que usa a criatividade para me denunciar”, disse o ex-presidente.
O relatório da PF está sob sigilo e deverá ser remetido por Alexandre de Moraes à PGR nos próximos dias. Caberá ao procuradoria-geral da República, Paulo Gonet, avaliar se oferece denúncia contra os suspeitos ou se demanda mais investigações.
Com informações da Agência Brasil.
