A oposição do governador Elmano de Freitas (PT) na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) articula a possibilidade de lançar uma chapa para concorrer à Mesa Diretora. Conforme informou o deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) ao OPINIÃO CE, a decisão da oposição, atualmente, é de lançar a chapa, entendimento que seria defendido por 80% dos oposicionistas, inclusive por ele. A eleição dos integrantes da Mesa ocorrerá entre 1º e 15 de dezembro, como aponta o Regimento Interno.
O documento destaca ainda que, para uma chapa ser inscrita, ela precisa da subscrição de, pelo menos, um quinto dos deputados estaduais – 10 de 46. O número mínimo já foi alcançado pelo grupo, que reúne quatro deputados do PDT (Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho), três do União Brasil (Felipe Mota, Oscar Rodrigues e Sargento Reginauro) e três do PL (Alcides Fernandes, Dra. Silvana e Carmelo Neto).
Existe conversa, de acordo com Felipe, para que Emília Pessoa (PSDB) também integre o grupo. A parlamentar, nas eleições municipais, disputou a Prefeitura de Caucaia contra candidatura apoiada pelo Governo no primeiro turno. Já no segundo turno, ela apoiou Naumi Amorim (PSD) contra Catanho (PT), o candidato de Elmano e Camilo Santana (PT).
Além dela, há uma “tendência” de o grupo ser acrescido de mais dois deputados, “de pessoas que não estão se sentindo confortáveis com o Governo”, como informou o filiado ao União Brasil. Os nomes, no entanto, não foram revelados. “A gente ainda não pode revelar. Não é estratégico”, disse. Ainda não foi decidido quem seria o presidente da chapa, mas a expectativa é de que, até o fim de novembro, isso seja pactuado. O deputado, como frisou, defende que a Presidência seja ocupada por uma mulher.
“Eu queria muito que fosse uma candidata mulher, já que a Assembleia Legislativa nunca teve uma candidata mulher”, disse. Caso o grupo entenda por esse caminho, as duas únicas possíveis candidaturas seriam de Silvana e Emília. “Mas você sabe que a gente tem que administrar, porque existem outras estratégias”, ressaltou.
ARTICULAÇÃO DO GOVERNO
Com a chegada do novo biênio, os deputados e o Governo se movimentam para articular as composições da nova Mesa Diretora para os anos de 2025 e de 2026. O cargo de presidente, o mais cobiçado, tem pelo menos seis nomes já colocados. Os parlamentares até o momento ventilados para a Presidência são todos governistas. Além do presidente, entretanto, também são escolhidos primeiro vice-presidente, segundo vice-presidente, primeiro-secretário, segundo-secretário, terceiro-secretário, quarto-secretário e primeiro, segundo e terceiro suplentes, em um total de 10 cargos em disputa.
Na mesma articulação, entram também as discussões para a composição das comissões, além de suas presidências e vice-presidência. “Não tem só a mesa, tem as comissões, as presidências de comissão, então, nós estamos fazendo esse trabalho justamente para se ter essa conversa”, lembrou Felipe.
Com a vedação de subscrição de um mesmo deputado em mais de uma chapa, aliás, um deputado que concorre dentro de um grupo, não poderia ser agraciado no outro. Tal situação torna o posicionamento da oposição delicado, uma vez que, se lançar uma chapa própria, nomes oposicionistas não poderiam estar incluídos na chapa presidida por um aliado do Governo. Atualmente, a mesa diretora presidida por Evandro Leitão (PT) tem o deputado estadual Oscar Rodrigues, da oposição, como 4º secretário e a deputada Emília Pessoa, que articula espaço no grupo, como 2ª suplente. Dentro da oposição, existe quem queira o diálogo com o Governo, “para não ter a perda do espaço”, como destacou Felipe. Se a decisão for lançar a chapa, conforme o deputado, será um “bate-chapa”.
