Fortaleza ocupa a 51ª posição num ranking de qualidade do serviço público nos 100 maiores municípios do Brasil. Os dados comparativos fazem parte da sexta edição do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), estudo realizado pela consultoria Macroplan, que avaliou as cidades municípios mais populosas do País. O Índice considerou as políticas públicas estabelecidas nas áreas de saúde, educação, saneamento e segurança. A pesquisa foi realizada a partir de indicadores públicos para essas áreas, como a taxa de mortalidade por habitante, a quantidade de crianças matriculadas e o acesso a atendimento pré-natal, dentre outros.
Com base nos dados, a capital cearense subiu apenas uma posição em 10 anos. Entre as quatro áreas específicas analisadas, Fortaleza teve sua melhor posição em Saúde, em que aparece na 39ª posição. Nas outras áreas foi: 46ª em Educação, 67ª em Saneamento e Sustentabilidade e 83ª em Segurança. Na última década, a cidade melhorou sua posição no ranking em apenas 1 área, e perdeu posições em 3 áreas: Educação (+15 posições); Saúde (-3 posições); Segurança (-11 posições); e Saneamento e Sustentabilidade (-14 posições).
Em 2010, o IDGM da maior capital do Nordeste era de 0,518. No ano de 2024, o índice subiu para 0,606. Por área, Educação somou 0,6; Saúde: 0,52; Segurança: 0,677 e Saneamento: 0,736.
EDUCAÇÃO
Na educação, Fortaleza melhorou no número de matrículas em creches e também no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) Ensino Fundamental II em escolas públicas. Porém, decaiu na taxa de matrículas em pré-escolas e também no Ideb Ensino Fundamental I da rede pública.
Taxa de matrículas em creche (% das crianças de 0 a 3 anos)
- 2010- Índice: 17, posição: 56º
- 2024: Índice: 37,7, posição: 54º
Taxa de matrículas em pré-escola (% das crianças de 4 a 5 anos)
- 2010- Índice: 82,7, posição: 24º
- 2024: Índice: 95,9, posição: 56º
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) Ensino Fundamental I – Rede Pública
- 2011- Índice: 4,2, posição: 24º
- 2024: Índice: 6, posição: 35º
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) Ensino Fundamental II – Rede Pública
- 2011- Índice: 3,6, posição: 24º
- 2023: Índice: 5,2, posição: 19º
SAÚDE
Na saúde pública, Fortaleza avançou expressivamente na redução da mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis, bem como na taxa de crianças nascidas vivas com pré-natal adequado. No quesito mortalidade infantil, a cidade teve uma melhora discreta, o que não foi o suficiente para subir de posição. Já na cobertura da atenção básica, a Capital teve uma piora expressiva em dez anos, decaindo 19 posições.
Mortalidade prematura por DCNT (por 100 mil habitantes de 30 a 69 anos)
- 2010- Índice: 245, posição: 9º
- 2022: Índice: 280,4, posição: 30º
Nascidos vivos com pré-natal adequado (%)
- 2010- Índice: 42,8, posição: 92º
- 2022: Índice: 70,8, posição: 59º
Mortalidade infantil (por mil nascidos vivos)
- 2010- Índice: 11,9, posição: 34º
- 2022: Índice: 11,7, posição: 45º
Cobertura da atenção básica (% da população)
- 2010- Índice: 54, posição: 44º
- 2023: Índice: 69,4, posição: 63º
SEGURANÇA
Na segurança pública, a cidade apresentou uma redução na taxa de homicídios por grupo 100 mil habitantes, mas ainda assim perdeu posições no ranking. A performance de outros municípios foi melhor, fazendo Fortaleza recuar sete colocações. Em relação a mortes de pessoas no trânsito, a cidade teve uma redução de quase metade dos números, subindo 20 posições.
Taxa de homicídios (por 100 mil habitantes)
- 2010- Índice: 47,7, posição: 81º
- 2022: Índice: 37,8, posição: 88º
Taxa de óbitos no trânsito (por 100 mil habitantes)
- 2010- Índice: 16,7, posição: 35º
- 2022: Índice: 8,5, posição: 15º
SANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
No que tange às questões relacionadas ao meio ambiente e ao acesso ao saneamento básico, Fortaleza se manteve mais uma vez em primeiro lugar na coleta de lixo por pessoa. Ao observar o cuidado da gestão pública com o esgoto, houveram melhorias, porém a cidade demonstrou queda na posição, em relação a outros estados. Em relação ao acesso e cuidado com água, as taxas decaíram, e a Capital desceu no ranking, em especial no quesito de desperdício de água na fase de distribuição, caindo 34 posições.
Esgoto tratado (% do volume de água consumida)
- 2010- Índice: 58,3, posição: 28º
- 2022: Índice: 60,8, posição: 52º
Perdas na distribuição de água (% do volume de água consumida)
- 2010- Índice: 27,3, posição: 16º
- 2022: Índice: 36,6, posição: 50º
Atendimento de água (% da população)
- 2010- Índice: 87,1, posição: 80º
- 2022: Índice: 84,1, posição: 87º
Coleta de lixo (% da população)
- 2010- Índice: 100, posição: 1º
- 2022: Índice: 100, posição: 1º
Atendimento de esgoto (% da população atendida com água)
- 2010- Índice: 48,37, posição: 61º
- 2022: Índice: 62,9, posição: 69º
DISPARIDADES
As cidades analisadas detêm cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas têm desafios particulares. O índice aponta os municípios das regiões Sudeste e Sul como os melhores avaliados, um total de 25 cidades. Goiânia (27ª) e Palmas (28ª) são as cidades com melhor classificação fora das duas regiões. As cinco cidades com melhores índices foram Maringá (PR), em primeiro lugar, seguida por Franca (SP), Jundiaí (SP), Uberlândia (MG) e Curitiba (PR). O Norte e o Nordeste aparecem com 16 cidades entre as 25 pior avaliadas no ranking, que tem também grande presença de municípios do Rio de Janeiro (seis ao todo; cinco deles localizados na Baixada Fluminense). Os únicos estados com cidades entre as 25 melhores foram o Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e o Espírito Santo.
Em nota, a coordenadora do estudo e diretora de estudos e dados da Macroplan, Adriana Fontes lembrou que o país sempre se destacou pelos índices de desigualdade, o que é fruto direto das gestões municipais.
“O estudo aponta resultados muito distintos entre municípios com tamanho de população similar dentro de uma mesma região. Gerir com base em evidências, trabalhar em cooperação com outros entes da Federação, buscar as boas práticas de outras cidades e dar continuidade às políticas públicas exitosas é fundamental para evoluir de forma mais acelerada, evitando desperdícios de recursos e reduzindo desigualdades”, reiterou a diretora.
