O PDT vive um momento de incerteza no cenário político local e estadual. Após a vitória de Evandro Leitão (PT) para a Prefeitura de Fortaleza, a sigla tenta – por intermédio de seu presidente interino nacional, o deputado federal cearense André Figueiredo -, nos bastidores, fazer parte da base do petista na Câmara de Vereadores. A legenda, compondo a situação em Fortaleza, abre a possibilidade de se oficializar como base do governador Elmano de Freitas (PT) no âmbito estadual. Ao OPINIÃO CE, deputados estaduais aliados do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), não descartaram a possibilidade de deixar o partido caso haja o entendimento de compor o Governo Elmano.
Atualmente com uma bancada de 13 parlamentares em exercício, o PDT possui quatro deputados estaduais que se posicionam como oposição ao Governo: Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho. Nesta terça-feira (5), como apurou o OPINIÃO CE, os parlamentares se reuniram com Roberto Cláudio. A expectativa é de que o grupo liderado por RC não vá se alinhar ao Governo do Estado. Na ocasião, o ex-prefeito teria se posicionado de forma firme em se manter na oposição.
DEPUTADOS ANALISAM O CENÁRIO
Questionado sobre a possibilidade de deixar o partido, Antônio Henrique pregou cautela sobre o assunto, mas ressaltou que está na Assembleia por “vontade do povo”, o qual, segundo ele, demonstra uma “boa aceitação” ao seu posicionamento como oposição do Governo. “Se o povo me quiser na oposição, como estou até hoje, eu pretendo estar na oposição, porque sei que a população precisa de alguém que mostre, coloque o dedo na ferida e veja os problemas que o Estado está passando”, disse.
Ainda conforme o parlamentar, não existe sinal de que o Governo “vai melhorar”. O pedetista frisou não saber se uma reaproximação ao PT funcionaria. “Não estou dizendo que está descartado, mas no segundo turno [em Fortaleza] estivemos de um lado exatamente por não acreditar em um projeto”, explicou, lembrando que o grupo ao qual faz parte apoiou a candidatura do deputado federal André Fernandes (PL).
Segundo o deputado, ainda é aguardada reunião com Figueiredo. Porém, ele ressaltou que tem conversado com Roberto Cláudio, que também externou não ter sido procurado por Figueiredo. “Estamos aguardando, algumas coisas não podem ser decididas no calor da emoção. É preciso dar um tempo para saber o que está acontecendo no cenário local”, finalizou Antônio Henrique.
Já Lucinildo, por outro lado, foi mais incisivo que o seu correligionário. Também ao OPINIÃO CE, o parlamentar ressaltou que seguirá na oposição independente do entendimento do PDT. “Se, por acaso, o PDT se aliar [a Elmano], não tenho como permanecer no partido. Sairei”, disse. “Irei disputar a reeleição de deputado pela oposição”, completou, falando sobre a possibilidade de continuar como deputado em 2026.
“É uma decisão dele [Figueiredo], como dirigente, de levar o partido para a base, mas não vejo resultado, para a população cearense, a permanência deste Governo no poder. Essa hegemonia tem que ser quebrada”, acrescentou o deputado.
Conforme os parlamentares, ainda não existe um prazo para que o PDT defina os seus rumos em Fortaleza e no Ceará.
PEDETISTAS DA BASE
Dos 13 deputados estaduais, além dos quatro alinhados a RC, os outros nove em exercício são aliados do governador. Estes deputados devem deixar a sigla para partidos que estão pactuados como base de Elmano. Boa parte deve migrar para o PSB do senador Cid Gomes, grande líder do grupo. Outro nome pedetista e cidista é o secretário do Desenvolvimento Econômico, Salmito Filho, deputado estadual licenciado.
Do grupo, aliás, pelo menos quatro são cotados com a possibilidade de assumir a vaga a ser deixada por Evandro como presidente da Assembleia: Guilherme Landim, Osmar Baquit, Romeu Aldigueri e Salmito Filho.
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Nos bastidores, se discute a possibilidade de, o PDT se firmando como base no Estado, ser trabalhada a permanência destes deputados no partido. A conversa deve envolver, além de Elmano e do ministro Camilo Santana (PT), grande líder do grupo governista, o presidente André Figueiredo e os líderes de partidos que pleiteiam os parlamentares, como Cid.
