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Elmano cobra união dos Três Poderes e do MP para mais eficiência na segurança pública

A expectativa também é ampliar o mapeamento e o monitoramento de cidades e grupos em todo o Estado, como foco no tráfico de Drogas. Foto: Hellynara Fernandes/ Opinião CE

O tema da segurança pública é, constantemente, um dos maiores alvos de críticas da população. O governador Elmano de Freitas (PT) relata que, no Ceará, os índices de violência e insegurança têm diminuído, mas que ainda é preciso trabalhar mais para “garantir a paz e a tranquilidade para o povo ter segurança”. Ressaltando que este não é um trabalho simples, o chefe do Executivo cobra uma união dos Governos dos estados com o Governo Federal, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário e os Ministérios Públicos, no que defende como um pacto pela segurança no País.

Em entrevista ao podcast Questão de Opinião, do OPINIÃO CE, o governador disse aguardar ansiosamente uma reunião com o presidente Lula (PT), para que o pacto seja discutido e levado à frente. A possibilidade do encontro já ganhou força neste ano, mas com as eleições, o tema esfriou. Elmano espera, ainda, que a reunião conte com as presenças do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Luís Roberto Barroso, do presidente do Superior Tribunal Judiciário (STJ), Herman Benjamin, e dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Mesmo com a ampliação das polícias estaduais – já foram contratados 1.400 policiais militares, 426 policiais civis e a inteligência da polícia passou de 135 profissionais para mais de 730 -, a pactuação é defendida como uma ação imprescindível para o enfrentamento à violência, à insegurança e ao crime organizado. “Isso é muito importante para que se tenha um resultado prático e de alteração do sistema penal brasileiro”, disse. O sufocamento financeiro das organizações criminosas é uma das ações que Elmano mais defende para que o Estado tenha êxito no enfrentamento às facções.

Programa que tem ajudado o Governo na segurança, o Meu Celular – ação que visa retornar celulares furtados ou roubados para os seus donos – já recuperou quase 4 mil celulares. “Depois do programa, em setembro, comparado com o ano passado, a diminuição de furto e roubo foi de 27%. Então caiu quase um terço e creio que vá cair ainda mais”, disse. Na entrevista, o governador destacou que, se colocar uma média de R$ 2 mil por aparelho, o valor recuperado – que pode estar sendo utilizado pelas quadrilhas – é de cerca de R$ 8 milhões.

O petista explicou que, no Estado, em média, 83 pessoas são presas por dia. “Não prendemos pouco, atuamos muito. Precisamos discutir porque prendemos tanto e a violência continua. Não é só ação policial, precisamos ter alguma alteração mais profunda, por exemplo, com consenso entre os Poderes de que tem pessoas que efetivamente são perigosas”, disse. Neste ponto, o governador afirma que não adianta a polícia prender alguém perigoso e essa pessoa estar solta em alguns anos por bom comportamento.

“Passou 10 anos ameaçando, mandando matar gente, passa um ano dentro do presídio, ‘tem bom comportamento, então, progride o regime dele’, está errado. Se ele é uma pessoa perigosa, chefiou o tráfico, tem que ficar preso. Ele solto, é certo que vai ameaçar pessoas, movimentar o crime e chefiar organização criminosa”.

Para auxiliar no combate à insegurança e ao aliciamento das facções à juventude, o governador cobra que as políticas sociais nos bairros sejam elevadas. “Eles [as organizações criminosas] já avançaram muito. As comunidades ameaçadas. Trabalhamos muito nos territórios para enfrentá-los, mas não resolvemos isso apenas com ação policial do Estado. Vamos continuar investindo muito, o Ceará vai ver cada vez mais policiais na rua, mas também, cada vez mais políticas sociais, especialmente, para a juventude, para ela não ser aliciada pela organização criminosa”, acrescentou.

Foto: Hellynara Fernandes

SENSAÇÃO DE SEGURANÇA

Questionado se acredita que a população não dá o devido reconhecimento ao trabalho do Governo na segurança pública, Elmano afirmou que o cidadão julga a partir da sua vivência, e que, por isso, não pode querer que o julgamento seja diferente. “Por mais do que a gente fez até aqui, o cidadão que está no bairro está com medo”, afirmou. Ele não vê injustiça no posicionamento da população, que estaria dando um “grito de socorro”.

“Primeiramente, tenho que ter humildade para reconhecer que o problema existe. E segundo, ter coragem para enfrentar o problema, não me esconder, me agarrar com o problema e tomar as medidas necessárias para buscar superar os obstáculos que temos pela frente”, completou.

Ainda de acordo com o chefe do Executivo, a população sabe, apesar de estar insegura, que a questão da segurança não é fácil de resolver. “Na saúde, se não tenho médico em um posto de saúde, a Prefeitura contrata e ele vai resolver o problema. Na segurança, o povo sabe que não é assim. Se colocar o policial em uma rua, o sujeito vai fazer a ação criminosa em outra rua. O crime é dinâmico”, pontuou. O governador reconheceu também que é preciso fazer mais ações para a segurança, as quais disse que irá. “A população vai se sentir mais segura quando estiver indo para o trabalho e ver a polícia na rua. Ela já vê, mas sabe que precisa ver mais”.

Em relação à sua oposição, Elmano afirmou ser “normal” que ela eleja os temas que a população possui uma visão mais crítica e “coloque luzes” sobre eles. “Não vou reclamar da oposição”. No entanto, ele frisou que as pessoas devem olhar para o posicionamento crítico dos adversários políticos do Governo e questionar o que eles estão propondo para o tema. “O que o governador ainda não fez que você faria?”, questionou.

“A oposição diz: ‘Tem que ter mais policiais’, contratamos 1.400 e já vamos com concurso para mais; ‘O policial tem que ter mais condição’, já distribuímos 480 viaturas para as polícias e vamos comprar 1.500; ‘A polícia tem que ser armada’, nós temos o melhor armamento do mundo com a Polícia Militar e a Polícia Civil do Ceará, com o melhor armamento de pistola utilizado pelo exército americano e pela polícia da Inglaterra”.

De acordo com o petista, nem a esquerda, nem a direita e nem o centro possuem a “solução para a segurança pública”. “Digo isso porque o PT governou o país por 12 a 14 anos, e o Bolsonaro, com a extrema-direita, passou quatro anos. A violência continuou a aumentar. O que isso quer dizer? Que nossas respostas não são suficientes para enfrentar organizações criminosas que são bilionárias, corrompem pessoas, sistemas e movimentam, com milhares de recursos, uma multidão de jovens sem expectativa e oportunidades”, completou. A proposta, conforme o governador, seria juntar os discursos da direita de ser duro com o crime e da esquerda de ter políticas sociais para a juventude.

Foto: Hellynara Fernandes

PAPEL DA PREFEITURA NA SEGURANÇA

Com o segundo turno das eleições se aproximando, o governador também comentou o que ele pensa sobre como as Prefeituras e as Guardas Municipais poderiam ajudar na segurança. Em Fortaleza, no próximo domingo (27), André Fernandes (PL) e Evandro Leitão (PT) disputam o cargo máximo do Executivo municipal da capital cearense. Os dois candidatos, de partidos polarizados, também possuem propostas polarizadas para o tema. Enquanto André defende a ampliação do armamento da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), Evandro, candidato apoiado por Elmano, possui propostas menos voltadas para a ostensividade.

De acordo com o chefe do Executivo estadual, a Prefeitura tem poucas condições de enfrentamento direto às organizações criminosas. “Estamos falando de uma Guarda de 3 a 4 mil homens. A Polícia Militar tem 21 mil, sete vezes mais”. Ele criticou a postura do prefeito José Sarto (PDT), derrotado no primeiro turno, em dizer que a GMF iria enfrentar o crime em Fortaleza. “Acho que essas coisas, de mero marketing, têm perna curta. A população sabe que isso não vai funcionar”.

“Quando o candidato André fala que agora a Guarda vai fazer isso, fazer aquilo, eu já vi esse discurso”, disse, sobre as propostas do candidato bolsonarista à Prefeitura. Ele aproveitou o momento para elogiar a proposta de Evandro para ter pelotões das Guardas pelas regiões.

O governador afirmou que, se dependesse dele, a GMF estaria nas ruas, nas praças e nas areninhas, em uma política conjunta com as polícias estaduais. “Reúne o sistema de comunicação da Guarda com a polícia. [Coloca] viaturas próximas de areninhas ou praças, com dois ou três guardas na praça”. O petista completou afirmando que “em uma situação distinta”, a comunicação da GMF poderia entrar em contato com as polícias estaduais, para que uma possível adversidade fosse controlada.

Ele cobra, ainda, uma iluminação pública mais eficiente e uma intensificação das políticas sociais, com Governo e Prefeitura fazendo um trabalho conjunto. “Se pudéssemos cruzar informações, Fortaleza tem alguns bairros com maiores índices de violência, vamos chegar juntos, Estado e Prefeitura, vamos aumentar as oportunidades para os jovens”.