Nesta terça-feira (15), completam-se cinco anos do desabamento do Edifício Andrea, em Fortaleza. A tragédia deixou nove pessoas mortas e sete feridas. O prédio, localizado no bairro Dionísio Torres, desabou por volta das 10h30 e levou o olhar da cidade para a importância de manutenção e cuidado em edificações residenciais. Todos os resgates foram realizados após 103 horas. Segundo o coronel comandante-geral do Corpo de Bombeiros, José Cláudio Barreto de Sousa, os trabalhos duraram mais de 10 horas diárias.
Em 2021, dois anos após o ocorrido, os engenheiros José Andreson Gonzaga dos Santos e Carlos Alberto Loss de Oliveira, juntamente com o pedreiro Amauri Pereira de Souza, foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e outros três delitos. Conforme laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), a atuação dos três foi considerada “determinante” para o colapso do edifício.
Ainda em março de 2021, o MPCE solicitou que os réus fossem levados a júri popular, sob a acusação de homicídio com dolo eventual, pois, embora não tivessem a intenção de matar, assumiram o risco com suas decisões e ações negligentes. Enquanto as famílias vítimas receberam indenização referente à desapropriação do terreno apenas em agosto do ano passado. Um total de apenas R$ 1,7 milhão pago pela Prefeitura de Fortaleza ficou de ser dividido entre 12 famílias.
Para Rudy Fernandes, presidente da Associação das Administradoras e Condomínios do Estado do Ceará (Adconce), o desabamento do Edifício Andrea trouxe o ensinamento sobre a necessidade de uma cultura de manutenção preventiva em prédios.
“A tragédia do Edifício Andrea nos ensina sobre a importância de garantir que edifícios passem por inspeções regulares e manutenções adequadas. Não podemos mais ignorar os sinais de envelhecimento das edificações. A segurança dos moradores deve ser prioridade”, destaca Fernandes.
O presidente ainda reitera que medidas preventivas evitam grandes prejuízos econômicos e patrimoniais, e claro, protege moradores e funcionários desses prédios. “Síndicos e administradores precisam entender que a prevenção é um investimento que valoriza o patrimônio e protege vidas. Pequenos reparos regulares podem evitar grandes desastres no futuro”, enfatizou.
NOVO ESPAÇO
Com nome 15/10, atualmente está localizado um novo quartel do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), no local onde existia o Edifício Andrea. A nomeação é uma homenagem aos bombeiros que atuaram no resgate das vítimas. A unidade é especializada em combate a incêndios, e teve investimento de R$ 3 milhões. Conforme o CBMCE, a obra contará com toda a estrutura necessária para abrigar as operações, como estacionamento para viaturas, alojamentos, vestiários, banheiros, refeitório, salas administrativas, recepção, entre outras dependências. O quartel terá uma área de 831 metros quadrados, em uma área de 580m², dividida em três pavimentos e subsolo.
O órgão relembrou a tragédia nas redes socias, e destacou o trabalho dos bombeiros do dia da tragédia.
“15 de outubro de 2019, 10h28, um edifício desabou no Dionísio Torres, em Fortaleza. Das 16 vítimas, conseguimos resgatar 7 com vida, mas infelizmente, 9 não resistiram. Foram vários dias de operação, onde a dedicação dos bombeiros se uniu à esperança do povo cearense. Que as vítimas sejam sempre lembradas. Nosso carinho para elas e suas famílias”, lembrou o CBMCE, em nota em sua página oficial.
