O Ceará e o Acre são os dois estados brasileiros com os menores índices de desigualdade salarial entre mulheres e homens em empresas com mais de 100 funcionários. Em ambos os estados, a diferença salarial é de 9,7%, com as mulheres ganhando, em média, esse percentual a menos que os homens, conforme o 2º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado no dia 18 de setembro pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.
O estudo analisou 50.692 empresas no Brasil, abrangendo mais de 18 milhões de vínculos formais. A média nacional mostra que as mulheres ganham 20,7% menos que os homens, com um salário médio de R$ 4.125,77. O relatório destaca que, embora a disparidade salarial no Ceará e no Acre seja menor que a média nacional, as diferenças persistem em todos os estados. Pernambuco também aparece com um índice próximo, de 9,9%.
Por outro lado, estados como Espírito Santo e Paraná apresentam as maiores disparidades salariais, com as mulheres ganhando 29% a menos que os homens. Em estados como Mato Grosso, Rio de Janeiro e Santa Catarina, a diferença varia entre 27% e 28%.
O relatório também revela que a desigualdade salarial é mais acentuada para mulheres negras em relação aos homens não negros. No Ceará, essa diferença é de R$ 1.205,54, enquanto no Acre a disparidade é significativamente menor, com apenas R$ 14,17 de diferença entre os salários de mulheres negras e homens não negros.
Em termos de regiões, o Nordeste, onde o Ceará está localizado, apresenta um cenário menos desigual do que outras partes do país. Em Alagoas, por exemplo, a desigualdade salarial é de 10,7%, enquanto na Paraíba e no Piauí as mulheres ganham 15,4% e 12,6% a menos que os homens, respectivamente.
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, ressaltou que as mulheres negras, em especial, estão concentradas em setores com menor remuneração, como serviços domésticos, limpeza e saúde básica, o que contribui para a persistência da desigualdade.
O relatório oferece uma visão abrangente das diferenças salariais em todo o país, e destaca que, apesar de algumas regiões, como o Ceará e o Acre, apresentarem menores índices de disparidade, a desigualdade de gênero ainda é uma questão estrutural no mercado de trabalho brasileiro. Para acessar o relatório completo e obter informações por estado, o documento está disponível no site do Ministério do Trabalho e Emprego.
