De acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Brasil precisará formar anualmente quase 3 mil técnicos e trabalhadores qualificados para expandir a produção de hidrogênio verde (H2V). O País está bem posicionado para expandir sua economia de H2V. O Ceará foi um dos primeiros estados a investir na área e está em processo avançado para a produção do hidrogênio verde.
A pesquisa do Senai entrevistou 128 especialistas em hidrogênio verde e calculou o número básico para ter um sucesso na implementação, pois, embora seja um projeto ainda em iniciação, há grande potencial de crescimento e inovação. Os entrevistados estimaram a necessidade anual de trabalhadores qualificados em três níveis:
- Nível médio: técnicos e trabalhadores qualificados): demanda média de 2.863 novos profissionais;
- Nível baixo: trabalhadores semiqualificados e não qualificados): demanda de 2.248 trabalhadores adicionais;
- Nível alto: cientistas e engenheiros altamente qualificados): demanda relativamente menor, concentrada em universidades e centros de pesquisa.
Em resposta a essa necessidade, o Senai lançou, no ano passado, a primeira pós-graduação em H2V da rede, pelo UniSENAI digital. Além disso, foi criado um centro de excelência no Rio Grande do Norte e mais cinco laboratórios regionais (Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Bahia e Ceará) voltados para a educação profissional e superior nesse novo setor. O superintendente de Educação Profissional e Superior do Senai, Felipe Morgado, explica os melhores caminhos para as especializações necessárias.
“Teremos um primeiro movimento de especialização para quem possui nível superior, nas áreas voltadas à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e regulação. O segundo movimento será direcionado à instalação e operação das plantas, que exigirá profissionais de nível técnico”, concluiu.
FORMAÇÃO
Em agosto, o Governo do Ceará lançou um edital com 1.800 vagas para qualificação técnica em energias renováveis e hidrogênio verde, por meio do Projeto H-Tec, iniciativa da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece). Cada aluno selecionado receberá bolsa de R$ 300 por 4 meses por meio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), como forma de apoio para as formações.
As aulas do primeiro ciclo acontecerão em seis laboratórios espalhados por todo o Estado: Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral, Mauriti, São Gonçalo do Amarante e Quixeramobim. Dividido em três fases, o Projeto H-Tec já concluiu a formação de 1.050 multiplicadores em seu primeiro momento. O objetivo é a formação de 12 mil técnicos e multiplicadores de conhecimento. Ao todo, serão investidos R$ 34 milhões ao longo de quatro anos.
O projeto conta ainda com a parceria da Secretaria do Trabalho do Ceará (SET); da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc); da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE); da Universidade Federal do Ceará (UFC); da Universidade Estadual do Ceará (Uece); e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
LEVANTAMENTO
O estudo feito pelo diretor do Instituto de Inovação e Tecnologia de Berlím Marc Bovenschulte e entrevistou, entre 7 e 21 de agosto, 128 especialistas brasileiros em hidrogênio verde, distribuídos principalmente nas regiões Nordeste (42%) e Sudeste (39%), refletindo a localização dos principais projetos de H2V, como no Ceará e Piauí. Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), inclusive, mostrou que já há mais de 60 projetos de hidrogênio a partir de fontes renováveis anunciados no Brasil, com investimentos que somam R$ 188,7 bilhões.
O Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Fortaleza, se destaca como o destino que deve receber mais aportes financeiros: cerca de R$ 110,6 bilhões.
FUTURO DO H2V
Nos próximos dois ou três anos, 56% dos entrevistados preveem que a produção de hidrogênio por eletrólise será a área de maior crescimento, seguida pela produção a partir de biomassa (49%). Produtos derivados, como amônia e metanol, também foram apontados como importantes para o futuro da economia do hidrogênio (38%).
O hidrogênio é considerado “verde” devido à forma como é produzido. Apesar de abundante na natureza, o hidrogênio dificilmente é encontrado na forma mais “simples” e quase sempre integra outras moléculas, como o metano (CH4) – gás natural – e a própria água (H2O). A extração do hidrogênio dessas moléculas requer energia, e quando essa energia é proveniente de fontes sustentáveis, como eólica e solar, o hidrogênio produzido recebe o rótulo de “verde”. No levantamento, os entrevistados indicaram que a produção de hidrogênio por eletrólise (processo que quebra a molécula de água, resultando em H2 e O2) e biomassa terá alta demanda por profissionais qualificados – 44% e 36%, respectivamente.
