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Projeto Algodão Agroecológico resgata a cultura do “ouro branco” no Ceará

Para estimular a produção algodoeira no campo cearense, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) investiu R$ 812 mil no projeto Algodão Agroecológico, implementado em 29 municípios cearenses. A boa colheita foi motivo de celebração dos agricultores das cidades localizadas no semiárido cearense.

Temos clareza da importância econômica e histórica que tem o algodão para o Ceará e para o Nordeste. Então, na última safra [2023/2024], a partir de uma parceria muito forte com Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (Apaece), o Governo do Ceará, via SDA, fez investimentos da ordem de R$ 812 mil para a retomada qualificada e segura da produção do algodão no Ceará”, explica o secretário-executivo da SDA, Marcos Jacinto.

Conforme o titular, a decisão de investir na revitalização da cotonicultura se deu após convite da entidade em reunião na sede da secretaria. “A Apaece desenvolve o Ouro Branco e, a partir deste projeto, a entidade convidou o Governo do Estado para fazer parte do arranjo institucional e fortalecer a produção algodoeira. Já nesta safra 2024, o Governo do Ceará investiu diretamente R$ 280 mil em sementes e R$ 532 mil em bioinsumos para a produção de algodão agroecológico, somando 634 hectares de algodão em caroço”, destacou Marcos Jacinto.

BOA SAFRA

Marcos Jacinto detalha as razões do sucesso da safra deste ano, frisando que a natureza jogou à favor do agricultor cearense. “Tivemos uma quadra chuvosa que superou as expectativas, gerando uma produção bastante significativa. Na parceria direta do projeto Ouro Branco, conseguimos uma produtividade considerável para o nosso Estado. Tudo com base na agroecologia e na sustentabilidade”, ressalta o secretário-executivo da SDA.

Para a safra 2024/2025, a perspectiva é dobrar a quantidade plantada no Ceará, adianta Marcos Jacinto.

“Já temos colocada no programa Hora de Plantar uma proposta para dobrar a quantidade de sementes para os agricultores e agricultoras familiares. Será uma oportunidade de potencializar a produção de algodão agroecológico, tendo em vista que ela gera uma ampliação de renda para a agricultura familiar cearense”, projeta Marcos Jacinto.

PRAGA DO BUCUDO

O atual cenário da colheita no semiárido cearense contrasta com o dos anos 1980 e 1990, quando a praga do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) assolou a produção de algodão. Na época, o Ceará chegou a perder 1,2 milhão de hectares da cultura. A peste prejudicou drasticamente a produção de algodão mocó no Vale do Curu. Irauçuba foi uma das cidades mais afetadas do Interior. A tragédia está guardada na memória de Raimundo Mesquita, mais conhecido por Neguim das Barreiras. “Naquele tempo, os pais de família tiravam o sustento do ouro branco [algodão]. Quando acabou o algodão, ficaram só a mamona, o milho e o feijão”, recorda.

A cultura algodoeira na região sofreu um queda drástica e transformou o ouro branco em memória. Hoje, no entanto, Raimundo comemora a boa colheita do algodão no Assentamento Saco Verde, na zona rural de Irauçuba. “Quando a gente vê isso daqui tudo florescendo é a maior felicidade. Colher algodão é uma festa, uma maravilha”.

O Ceará já foi considerado o maior produtor do Nordeste e terceiro maior de algodão do Brasil. Segundo Marcos Jacinto, para evitar a volta do bicudo, a SDA aderiu a um protocolo de cuidados, trabalhado junto aos agricultores de forma coletiva.

“A questão do controle do bicudo tem sido feita em duas fases. A fase de produção, em que são utilizados dois bioinseticidas para controle da praga. Depois dessa fase, com a parceria da Adagri, a gente tem buscado fortemente fazer o vazio sanitário, ou seja, a ação de retirar do campo ainda os restos culturais que possam servir de elemento de reprodução do bicudo. Um trabalho desenvolvido em equipe que tem garantido a segurança necessária para a ampliação dos resultados da safra 2023/2024”, descreveu o secretário-executivo da SDA.