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Disputa injusta

A disputa eleitoral não é igual para todos. Os mais punidos na lógica da democracia representativa são os partidos pequenos, que não possuem representação no Congresso Nacional: ficam de fora dos debates, sem tempo de TV e com poucos recursos para a campanha.

Não há igualdade de direitos para todos. É como se a corrida já começasse com alguns em vantagem. É claro que a lei eleitoral fundamenta essa desigualdade, o que prova que nem sempre o direito é justo.

Sendo os mais prejudicados, os partidos pequenos como PSTU, PCB, PCO e UP, são também os mais ideológicos, os mais fiéis a pautas da esquerda, os que geralmente não fazem alianças, disputam eleições sozinhos. É claro que uma vitória desses partidos seria muito difícil de ser viabilizada, uma vez que são apagados pelos que têm a máquina e a lei nas mãos. E se chegassem a algum cargo executivo, não contariam com o necessário apoio do legislativo (sem êxito as siglas também tentam ter vereadores e deputados).

Outro fator importante que ajuda a aumentar o fosso entre os partidos é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Os partidos citados detém apenas 0,07% do fundo enquanto o PL, por exemplo, tem 17,87%, com 886.839.487,85 reais.

As candidaturas desses partidos historicamente dissidentes da esquerda que se institucionalizou, são uma forma de protesto diante da realidade injusta e desigual. O PSTU faz sua atual campanha contra os bilionários e em Fortaleza tem um contato próximo dos operários da construção civil. Num estado pobre como o Ceará são 9 os indivíduos que têm bilhões de reais. O PCB luta pelo ideal de socialismo.

Os candidatos das siglas oprimidas já devem entrar no embate sabendo que não vão chegar muito longe. Mas o sonho com outra realidade que se transforma em protesto e em disposição de se expor, de colocar seus nomes como opção para o eleitorado é já um passo na corrida.