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Pesquisadores da UFC desenvolvem meias para o tratamento do pé diabético

Mais de 13 milhões de brasileiros têm Diabetes, de acordo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, doença que traz diversos malefícios ao seu portador. A Neuropatia engloba uma série de alterações que ocorrem nos pés de pacientes com o diagnóstico, devido aos altos níveis de glicose na corrente sanguínea, fazendo a pessoa perder a sensibilidade dos pés e não sentir adequadamente irritação, dor ou infecção nos pés. Por isso, eles podem não perceber que seus sapatos estão machucando, assim, a falta de sensibilidade pode aumentar o risco de cortes, feridas e bolhas.

Visto esse problema, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) conseguiram desenvolver meias de tecido de fibra de carbono para o tratamento do pé diabético. Foi desenvolvido um tecido que pode ser moldado em formato de meias e que libera um fármaco com potencial terapêutico para pé diabético. A tecnologia foi elaborada por uma equipe dos departamentos de Química Orgânica e Inorgânica, de Química Analítica e Físico-Química da UFC e recebeu, em abril deste ano, a carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Os cientistas expõem nitroprussiato a um tecido de fibra de carbono, que libera óxido nítrico em sua decomposição. A decomposição ocorre lentamente nas fibras, entregando-o para o paciente de forma controlada e pode atuar por até 12 dias na pele. Pelo uso das meias com esse tecido especial, o paciente entra em contato com o óxido nítrico, realizando o tratamento do pé diabético. O pesquisador Pedro Martins ressalta a carência de produtos eficazes para o tratamento e estipula um longo prazo para que o produto possa ser de uso público:

“O mercado tem carência de produtos liberadores de óxido nítrico. Porém, para chegar ao público, ainda temos um longo caminho. Precisamos confirmar a ação terapêutica através de testes pré-clínicos e clínicos. Chegamos à conclusão da importância de proteger a tecnologia devido à gama de aplicações do óxido nítrico, tais como: tratamento de neuropatia, de câncer de pele, de feridas crônicas, como vasodilatador e outras possibilidades”

Além do pé, a neuropatia diabética pode afetar outras extremidades, como a mão. Dessa forma, o tecido criado também pode ser modelado em forma de luva ou atadura, mantendo as mesmas propriedades terapêuticas. O pesquisador acrescenta que o tecido pode ser usado no tratamento de outras neuropatias periféricas, que são as dores crônicas causadas pelo dano dos nervos sensitivos do Sistema Nervoso Central e Periférico.

Foto: Ribamar Neto/ UFC

Já existem algumas opções alternativas no mercado, tendo como princípio ativo o óxido nítrico (NO), em formato de emplastro ou gel tópico, voltados para tratamento de doenças na pele. Entretanto, as meias desenvolvidas na UFC são uma versão mais barata e eficazes por meio do uso do composto químico nitroprussiato, que atua como liberador do óxido nítrico sobre a pele do paciente. As meias usam as propriedades biológicas do óxido nítrico, uma substância que possui funções anti-inflamatórias, antimicrobianas e antinociceptivas, que reduzem a sensação de dor. Portanto, a substância é um importante agente terapêutico no tratamento de feridas e de úlceras diabéticas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, 85% das amputações relacionadas à doença se iniciam com uma lesão nos pés. A melhor forma de evitar é a prevenção, controlando os níveis de glicose no sangue, cuidando da higiene e conforto dos pés. Sensação de formigamento, dores e perda de sensibilidade e força são alguns dos sintomas do pé diabético, uma das complicações mais comuns da Diabetes e que, se não tratada, pode levar à amputação do membro.

A criação foi aprovada no Edital Centelha, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que procura estimular a criação de empreendimentos inovadores. Com o financiamento do programa, o tecido passará por novos testes, focados na meia para o pé diabético. Segundo Pedro Martins, a expectativa é de que o tecido liberador de óxido nítrico possa ser, no futuro, um aliado no tratamento de outras doenças, inclusive o câncer.