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Ceará tem 364 bancos e casas de sementes crioulas, aponta levantamento

A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) apresentou, nesta terça-feira (20), o Mapeamento de Bancos e Casas de Sementes Crioulas no Ceará, que indicou a existência de 364 bancos e casas de sementes crioulas nas 14 macrorregiões do Estado. O levantamento foi realizado pela Secretaria em parceria com o Instituto Agropolos e o Instituto Veredas da Cidadania (IVC), entre julho de 2023 e março de 2024. A maior parte das casas de sementes está nas regiões do Litoral Oeste/Vale do Curu (50), Serra da Ibiapaba (48) e Sertão de Sobral (81). 

O mapeamento busca fortalecer a agricultura familiar e a soberania da segurança alimentar dos cearenses, integrando a política de fomento produtivo e agroecologia. Conforme prevê a Lei de Incentivo à Formação de Bancos Comunitários de Sementes Crioulas e Mudas, os produtores terão a possibilidade de fornecer sementes para o programa Hora de Plantar. Na apresentação do estudo, foi anunciado que serão realizados seminários nas macrorregiões para discutir o mapeamento e a venda de sementes para o programa. 

 “Esse trabalho nos permite tomar conhecimento da potencialidade que as casas de sementes têm para buscarmos cada vez mais recursos junto aos governos Federal e do Estado. Em parceria com os integrantes do sistema SDA, como Idace na regularização fundiária, Ematerce com a assistência técnica e Ceasa com a comercialização, vamos criar condições para que os agricultores possam comercializar”, disse o titular da SDA, Moisés Braz. 

Os resultados da pesquisa estão presentes em um livro e em uma plataforma digital interativa que apresenta os dados com geoprocessamento em Power Bi, reunindo informações como o número de casas e bancos produtivos, os tipos de comunidade e sua caracterização, a situação das casas e quintais produtivos, além da forma de armazenamento das sementes e seus principais problemas de funcionamento. O estudo ainda indicou os dados de funcionamento e gestão, o georreferenciamento, produção, armazenamento, tipos de sementes e a capacidade produtiva e de comercialização. 

PARCERIAS

A pesquisa contou com a parceria da Cáritas Brasileira Regional Ceará, Comissão Estadual dos Quilombolas Rurais do Ceará (Cequirce), Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador e à Trabalhadora (Cetra), Cooperativa Mista de Trabalho Assessoria e Consultoria Técnica Educacional (Comtacte), Associação Escola Família Agrícola – EFA Jaguaribana, Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria, Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (Fepoince), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece), Coletivo cultural de matriz africana Ibilé, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Rede de Intercâmbio de Sementes (RIS).

O presidente do Instituto Veredas, Marcos Arcanjo, destacou que o mapeamento já havia sido realizado anteriormente por organizações como a Cáritas, o Esplar, a Fetraece e o Mst. “Tivemos cuidado de pactuar, ouvir sugestões, envolver movimentos e universidades, institutos e entidades sindicais. Uma decisão que tomamos é a de que não iríamos visitar as casas de sementes sem as entidades. Por isso, convidamos movimentos, sindicatos, a Fetraece, que muito nos ajudou nesse processo”, explicou o presidente do Instituto Veredas.