A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou uma carta ao Senado Federal relatando os prejuízos do uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, além de se mostrarem contrários à sua liberação no Brasil. O projeto de lei que trata do tema seria votado nesta terça-feira (20) no Congresso Nacional, mas foi retirado da lista de pautas do dia. O documento foi escrito pelo Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde, que concorda com a proibição do produto.
“Os DEF ampliam o risco de dependência à nicotina e expõem os consumidores a substâncias cancerígenas, como nitrosaminas, formaldeído acetaldeído, amônia, benzeno e metais pesados. Além do apelo tecnológico, esses dispositivos contêm solventes como glicerina e propilenoglicol, além de uma variedade de aromatizantes e saborizantes que atraem, especialmente, crianças e jovens, induzindo-os à experimentação precoce e à rápida dependência de nicotina”, pontuou a carta enviada ao Senado.
A Fiocruz também afirma estar em consonância com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e de entidades da sociedade civil como a Associação Médica Brasileira (AMB) e a ACT Promoção da Saúde, órgãos que indicam os riscos de utilizar os cigarros eletrônicos. Citando o alerta da OMS, a carta aborda os efeitos adversos desse produto para a saúde, com danos respiratórios, cardiovasculares e potenciais efeitos neurotóxicos, se tornando uma preocupação com o impacto a longo prazo desses dispositivos.
As estratégias de marketing também são alvo de críticas do documento enviado para o Senado. Conforme a carta, essas propagandas visam atrair o público jovem, contrariando as alegações de que o produto é destinado exclusivamente a fumantes adultos. Esses conteúdos, presentes em mídias sociais, além dos patrocínios em eventos, seriam direcionados aos consumidores mais jovens, expondo essa faixa etária a riscos significativos.
