A Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados, a popular Expocrato, que iniciou no último dia 13 de julho e segue até o próximo domingo (21), vem movimentando e aquecendo o comércio e o setor de bens e serviços da região do Cariri. A estimativa é que o evento movimente, neste período, R$ 150 milhões na economia local e gere mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.
Segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Crato (Sindilojas Crato), José Alencar, o setor hoteleiro alcançou sua capacidade máxima de lotação. Já o setor de restaurantes, presencia uma movimentação 70% acima do habitual. “Todo o comércio local colhe muitos os frutos da Expocrato”, afirma.
Na sua avaliação, o evento está incorporado no calendário da região e traz um crescimento a todos os municípios. “Temos uma movimentação muito grande de turistas, o que acarreta o aumento de vendas de todo o setor de bens, serviços e turismo”, diz José Alencar. “Os shows começaram no sábado, tivemos um dia a mais de Expocrato e com certeza isso movimenta mais a região”, completa.
Oportunidades
O impacto da Expocrato na economia local é enorme em pequenos, médios e grandes empreendedores de todo o Ceará e estados vizinhos, como Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. O setor da feira agropecuária reúne cerca 200 expositores e 120 ambulantes, atuando apenas dentro do Parque. O número de animais de médio e grande porte é superior a 2.500.
A adesão também é grande no setor que comercializa equipamentos agrícolas, como implementos, máquinas e tratores. O empresário Gonzaga Melo, que compõe o grupo gestor da feira, enxerga que esse crescimento acompanha um processo que já acontece nas regiões do Cariri e Centro-Sul. “Aqui já têm criadores com genética de ponta, da mais alta qualidade, que sozinhos já lotam a exposição”, justifica.
A Expocrato também se tornou importante espaço para a agricultura familiar. Dos produtores de cana de açúcar e mandioca e seus derivados, mais de 100 famílias são beneficiadas. No caso do engenho, que funciona dentro do Parque Pedro Felício Cavalcanti, estimam que mais de 100 pessoas estarão envolvidas direta e indiretamente.
“Só dentro do nosso engenho, vamos envolver 25 pessoas trabalhando. Fora o pessoal de fora, agricultores, transportadores, cortadores”, detalha o agricultor Francisco Antonio Bernardo, o “Seu Novo”, do Sítio Coité, em Barbalha. Este ano, 180 toneladas de cana-de-açúcar serão utilizadas na fabricação do caldo, rapadura e outros derivados. “Isso é uma renda extra muito importante pra gente”, acrescenta. Além disso, lá dentro funciona uma feira agroecológica que envolve mais 30 agricultores.
Origem
A Expocrato nasce de um encontro, numa tarde de maio de 1944, no antigo Café Isabel Virgínia, entre o prefeito em exercício do Crato, Wilson Gonçalves, e o professor Pedro Felício Cavalcanti, que depois também se tornaria prefeito. Os dois debateram a criação de um evento que pudesse marcar o calendário da cidade e dinamizar a economia local. Nesta conversa, surgiu a ideia de criar a Exposição Agropecuária Crato. Apoiado no pensamento de uma cidade “ordeira”, “civilizada” e “moderna”, a expectativa é que abrangesse criadores de todo o Nordeste.
Com projeto aprovado pelo Governo do Estado, o prefeito Wilson Gonçalves se reuniu com a Diocese de Crato para escolher o local da primeira exposição. O terreno destinado à Feira Agropecuária foi um bosque no Sítio Caridade — atual prédio da reitoria da Universidade Regional do Cariri (URCA). No dia 21 de junho de 1944 acontece a primeira edição, tendo como patrono Pedro Felício Cavalcante, que nove anos mais tarde batizaria o Parque de Exposições.
Inspirada em eventos similares já realizados, principalmente, em Minas Gerais e Goiás, a primeira Feira teve muito sucesso, contando com a presença do interventor do Ceará, Francisco Meneses Pimentel. Os primeiros gados de raça chegaram de trem, trazidos de Fortaleza, mas comprados em Uberaba (MG). No ano seguinte, o país mergulhou na crise do pós-guerra e, por isso, a edição não aconteceu, só retornando em 1953. Após o intervalo, mais duas edições anuais são realizadas no antigo Parque Municipal, onde hoje está erguida a Praça Alexandre Arraes, a popular praça Bicentenário.
Já na gestão de Ossian Araripe, em 1955, é inaugurado o Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, sede atual do evento. Na época, só havia a área de leilões, barracas, palco para shows e pavilhões. Alguns espaços foram reformados e criados ao longo dos anos. O cantor Luiz Gonzaga, por exemplo, era presença marcante na festa. A Exposição Agropecuária do Crato passa a ser “Centro Nordestina”, reconhecida pelos pecuaristas e representantes dos governos estaduais do Nordeste e até de Minas Gerais.
