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Produtores de mel cobram políticas de incentivo para apicultura no Ceará

Foto: Dário Gabriel / Alece

A situação da apicultura no Ceará e os desafios que os produtores estão enfrentando no cenário atual foram temas debatidos pela Comissão de Agropecuária, da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta semana. Solicitada pelo presidente do colegiado, o deputado Missias Dias (PT), a audiência contou com a presença de produtores na última terça-feira (28) e abordou a importância do fortalecimento desta cadeia produtiva e a solução de problemas, como a organização e a comercialização do mel.

Na oportunidade, foi destacado que o desmatamento e o uso de agrotóxicos são grandes ameaças para a produção do produto, afetando a qualidade do mel e podendo acabar com as colmeias.

“Na Chapada do Apodi, onde os enxames dos produtores perderam tudo, foi perdido tudo justamente por contaminação dos agrotóxicos”, exemplificou. Robério Carneiro, presidente da Associação de Apicultores de Paraipaba, declarou que muitos produtores estão sofrendo devido ao uso de herbicidas em propriedades próximas às colmeias e, em alguns casos, os apicultores não estão conseguindo continuar com suas produções devido ao uso do material nas proximidades.

O deputado destacou, ainda, que a certificação do mel é um desafio para muitos produtores, já que possuem dificuldade para atender os requisitos solicitados, sendo de grande importância uma boa orientação e que estejam capacitados para atender a esses requisitos. Serão sugeridas políticas diferenciadas para estimular a compra do mel da agricultura familiar e incluí-las em merendas de escolas de ensino público.

Entre as propostas encaminhadas estão a criação de ações que fortaleçam os produtores; articulação entre os órgãos responsáveis para realização de estudos sobre o setor; realização de campanhas de conscientização e estímulo ao consumo de mel; aprofundamento de debates na área ambiental e em relação aos problemas que afetam a apicultura; articulação com o Banco do Nordeste e Banco do Brasil para apresentação de melhores condições no crédito aos produtores, além de uma parceria com o Sebrae para realizar orientações e capacitação.

CRÉDITO

A apicultura é considerada uma das atividades mais promissoras no semiárido, já que não necessita de nenhum tipo de desmatamento, conforme o representante da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Francisco Teixeira Filho. Ele destacou, na audiência, no entanto, que os financiamentos para a apicultura não recebem os mesmos investimentos que outras produções, como a da bovinocultura.

Também estiveram presentes na audiência o secretário de Políticas Públicas da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece), Joathan de Souza Magalhães; o representante da Secretaria Executiva do Fomento Produtivo e Agrocologia da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Castro Junior; o diretor do Instituto Agropolos do Ceará, Nathizael Gonçalves Leandro; e o representante do Sebrae, Germano Parente.