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Pesquisa: mais de 95% da população diz ter consciência das mudanças climáticas

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penas 3,5% disseram não ter consciência sobre as mudanças climáticas. Foto: Natinho Rodrigues/Opinião CE

Cerca de 95% da população brasileira afirma ter consciência de que as mudanças climáticas estão acontecendo. É o que revela a pesquisa de opinião sobre percepção pública da ciência e tecnologia (C&T) divulgada, nesta quarta-feira (15), pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), uma associação civil supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Apenas 3,5% dos entrevistados dizem não ter consciência das mudanças e 1% revela não saber opinar. A pesquisa foi aplicada em 2023, antes das tempestades e enchentes que atingem o Rio Grande do Sul.

Mesmo com uma consciência quase unânime dos brasileiros referente as mudanças climáticas, a opinião não traduz absoluta concordância sobre as razões do fenômeno. Para 78,2% dos entrevistados, as transformações no clima do planeta Terra ocorrem em razão da ação humana. Mas, para 19,6% essas mudanças são da natureza, sem intervenção do homem. A percepção da gravidade das mudanças climáticas é ainda mais relativa. Seis de cada dez entrevistados concordam que o evento representa um “grave perigo para as pessoas no Brasil”.

DESINFORMAÇÃO

A exclusão social não afetou a percepção dos perigos da desinformação e da propagação de falsas notícias. Ao todo, cinco de cada dez entrevistados disseram “se deparar frequentemente com notícias que parecem falsas”, aponta o relatório. A maior parte dos entrevistados (61,8%) assegura nunca compartilhar informações caso não tenha certeza da veracidade. No entanto, 36,5% admitem já ter compartilhado informações falsas.

Ainda de acordo com o relatório, 45,6% dos entrevistados “suspeitam da veracidade das informações provenientes de pessoas ou instituições das quais discordam”. Para 42,2%, as informações são verdadeiras “quando são provenientes de pessoas ou instituições que admiram”. Além de colher as opiniões dos brasileiros, a pesquisa do CGEE ainda fez análise de conteúdo das reportagens sobre ciência na mídia.

CIÊNCIA

De acordo com o professor associado do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Yurij Castelfranchi, os dados da pesquisa indicam que há no Brasil “pessoas excluídas da ciência” ou “exilados da cidadania científica”. Apesar da apartação social, o acadêmico assinala que a maior parte dos entrevistados “acha a ciência relevante.” A larga maioria dos brasileiros entrevistados sugere aumentar ou manter investimentos em ciência “mesmo em anos de crise”.

Na edição de 2023, o interesse por ciência e tecnologia ficou no mesmo patamar das pesquisas anteriores, totalizando 60,3% dos entrevistados. O percentual alcançado pela temática indica interesse menor do que em temas associados como medicina e saúde (77,9%), e meio ambiente (76,2%); e em temas diferentes, como religião (70,5%) e economia (67,7%). Ciência e tecnologia ficam à frente do interesse por esporte (54,3%); arte e cultura (53,8%); e política (32,6%).

Com informações da Agência Brasil